No bar, você compra a bebida. No templo, exigem sua entrega total. No banco, a esperança vira dívida. Cassinos têm regras. Já a indústria da fé e do crédito? Só têm a regra de que quem lucra sempre são eles, e quem paga sempre é você.
As bets e os cassinos exploram a sorte. As igrejas caça-níqueis exploram a fé. Mas ambos recorrem ao mesmo expediente: exibem os testemunhos de uns poucos que “ganharam na vida”, seja com um prêmio milionário, seja com um suposto milagre após a “oferta sacrificial” para convencer a multidão a arriscar o pouco que tem.
Agora, os arautos da moral e dos bons costumes se levantam contra o jogo, enquanto fazem fortuna no cassino da fé. Talvez o que realmente lhes importa é eliminar a concorrência.
Dizem defender a família, mas aplaudem líderes que vendem milagres em suaves parcelas, exigindo sacrifícios financeiros que sangram os fiéis. Querem posar de guardiões dos bons costumes, mas são apenas arquitetos de um espetáculo sujo: a miséria de uns, o lucro de outros, todos blindados pelo poder que finge indignação.
Enquanto isso, o povo paga a conta nos bancos que cobram juros impagáveis. A mesma lógica do vício que eles tanto condenam. O sistema inteiro opera no mesmo ritmo: transformar a esperança de quem sofre em cifras para quem manda. No altar, exigem doações que empobrecem a alma e esvaziam o bolso. Na agência, vendem crédito que devora cada respiro de quem já não tem mais nada.
Querem moral? Que olhem para o verdadeiro cassino:
– Os políticos que usam a fé como palanque.
– Os pregadores que exigem sacrifícios em nome de promessas vazias.
– Os bancos que cobram por cada dia de atraso como se fosse pecado.
No bar, você compra a bebida. No templo, exigem sua entrega total. No banco, a esperança vira dívida. Cassinos têm regras. Já a indústria da fé e do crédito? Só têm a regra de que quem lucra sempre são eles, e quem paga sempre é você.
Hipócritas? Não. São mestres de um teatro em que a fé vira mercadoria, e o desespero, espetáculo de luxo. A indignação popular não passa de mais uma jogada nesse tabuleiro que nunca para, onde o único milagre é o saldo que enche a conta dos donos do jogo.
Autor: Hermes C. Fernandes. Também escreveu e publicou no site “Quem paga o preço quando a religião vira arma de campanha?”: www.neipies.com/quem-paga-o-preco-quando-a-religiao-vira-arma-de-campanha/ Conheça também alguns de seus livros: https://www.amazon.com.br/stores/author/B0DGBC3YKT
Edição: A. R.












No bar, você compra a bebida. No templo, exigem sua entrega total. No banco, a esperança vira dívida. Cassinos têm regras. Já a indústria da fé e do crédito? Só têm a regra de que quem lucra sempre são eles, e quem paga sempre é você. (HERMES C. FERNANDES)