É preciso, pois, nos darmos conta sobre a qualidade de nossos pensamentos, sobre o que estamos pensando, uma vez que o pessimismo, o devaneio, a hostilidade para conosco gera um desequilíbrio emocional de tal intensidade capaz de nos fazer adoecer.
Não há surpresa alguma no fato de um médico cardiologista voltar sua atenção para avaliar as condições de saúde de uma pessoa a partir do coração, ao passo que um pneumologista o faria pela observação dos pulmões. Mas qual seria o foco principal para um psicólogo: estudar a mente? O comportamento? A personalidade? As relações sociais e familiares? Uma psicopatologia? É muito difícil encontrarmos uma resposta específica para um ser humano multifacetado.
Sua saúde está associada ao funcionamento de seus membros e ao de seus órgãos e dos sistemas que os integram, ao mesmo tempo que tem relação também com aquilo que está fora de seu corpo: sua condição socioeconômica, cultural, às relações em família, no trabalho, na sociedade… há muita complexidade!
Agora, se considerarmos que o pensamento é a base de tudo pois, é a partir dele que imprimimos movimento ao corpo e às tomadas de decisões, perceberemos o quão importante é darmos atenção ao ato de pensar. Quando pensamos em comprar algo e impulsivamente o fazemos, logo em seguida pode vir o arrependimento e, junto, uma dívida capaz de durar meses para ser paga, nos tirando o sono, o bom humor, afetando a saúde e limitando-nos a outras realizações. Pensamos em sair de casa (algumas pessoas casam-se com este propósito, porém parte delas acaba arrependendo-se amargamente depois), em iniciar outros estudos, em ter filhos, em trocar de trabalho ou em empreender em algum negócio.
Mas e os resultados? Sejam bons ou maus, uma coisa é certa: são os pensamentos que nos movem e nos levam às atitudes cujas consequências serão de nossa responsabilidade e teremos de arcar com isso.
A Dra Elizabeth Blackburn ganhou o prêmio Nobel em Fisiologia e Medicina em 2009 graças as suas importantes pesquisas e descobertas relacionadas aos telômeros e telomerase, o que ainda hoje contribui muito para a saúde da população. Suscintamente, telômeros são estruturas repetitivas de DNA que ficam nas extremidades dos cromossomos (com a função de protegê-los), as quais, por um processo natural, vão desgastando-se e encurtando com o passar dos anos, diminuindo de tamanho. Quanto mais lento for este processo, maior nossa longevidade.
Em sua pesquisa (juntamente com a psicóloga Elissa Epel) a Dra Elizabeth fez muitas descobertas (várias delas descritas no livro “O segredo está nos telômeros”), como a comprovação de que o estresse mental encurta os telômeros e mais do que isso, elas mostraram que o estresse é diretamente influenciado pelos nossos pensamentos.

Sua pesquisa mostrou que somos capazes de produzir cerca de 65 mil pensamentos por dia, sendo que 90% desses pensamentos são repetições de outros já produzidos anteriormente. Isto quer dizer que temos o hábito de remoer e de ficarmos presos a pensamentos, hábito que faz muito mal à nossa saúde, pois o estresse decorrente gera muitas toxinas em nosso corpo. É preciso, pois, nos darmos conta sobre a qualidade de nossos pensamentos, sobre o que estamos pensando, uma vez que o pessimismo, o devaneio, a hostilidade para conosco gera um desequilíbrio emocional de tal intensidade capaz de nos fazer adoecer.
Por fim, as pesquisadoras sugerem que busquemos uma faixa vibratória de pensamentos mais saudáveis, o que é possível através de um pensamento resiliente, típico da conscienciosidade, característica de pessoas com alta organização, disciplina, responsabilidade e foco em objetivos, associado a comportamentos como planejamento e autocontrole.
Pessoas com alta conscienciosidade são diligentes, organizadas e orientadas para o sucesso.
Quer atingir tal mudança? Comece por dar atenção aos seus pensamentos, a ser gentil consigo mesmo, a sorrir, praticar atividades físicas, ter bons hábitos, realizar um trabalho voluntário…. são tantas as opções saudáveis que a sugestão de sessões de psicoterapia não poderiam ficar de fora. Busque algumas que sejam possíveis de realizá-las e saiba, sua saúde agradece!
Fonte: Qual a qualidade de teus pensamentos? – Homem na psicologia
Autor: César Augusto de Oliveira – psicólogo clínico. Também escreveu e publicou no site “Autoimagem: quando o vazio é existencial, não há matéria que o preencha”: www.neipies.com/autoimagem-quando-o-vazio-e-existencial-nao-ha-materia-que-o-preencha/
Edição: A. R.












Do autor Cesar A. R Oliveira:
“É preciso, pois, nos darmos conta sobre a qualidade de nossos pensamentos, sobre o que estamos pensando, uma vez que o pessimismo, o devaneio, a hostilidade para conosco gera um desequilíbrio emocional de tal intensidade capaz de nos fazer adoecer”.