O Velho e o Novo Mundo

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Pode-se afirmar que o Velho Mundo deu as bases para que seus filhos, no Novo Mundo, buscassem seus próprios caminhos.

A história dos  descobrimentos de áreas na região do Oceano Pacífico, que poderemos chamar de países e civilizações que atualmente  estão incluídos no hoje denominado novo mundo,  é mais conhecida a partir da chegada do hoje denominado Peru, em 1532, pelos espanhóis, liderados por Francisco Pizarro

As antigas culturas da área do Oceano Pacifico foram gradativamente influenciadas pela cultura europeia e pela dominação militar, que protegia a economia extrativista dos países europeus.

A gradual e irreversível evolução dos países da área do Oceano Pacifico e do Oceano Atlântico, deu origem a economias desenvolvidas, principalmente na área agrícola. No caso da Argentina e do Brasil, as imensas áreas agrícolas passaram não só abastecer os mercados internos, como a buscar mercados externos para o excedente de produção agrícola, concorrendo com os exportadores norte-americanos.

O conceito de Velho Mundo e Novo Mundo, que era visualizado como uma questão do tempo em que estas áreas estavam com suas populações estáveis ou em franco crescimento, passou também a significar poderio econômico e superação das produções agrícolas em relação aos produtores europeus.

Sem temor, pode-se afirmar que uma economia “cansada”, como a europeia, tem medo da concorrência de uma agricultura jovem e predisposta a crescer cada vez mais, com melhores tecnologias de produção de grãos e de proteína animal.

E mais. País com agricultura forte, lança as bases para o desenvolvimento industrial. Brasil e Argentina, decolaram suas agriculturas e pavimentaram o caminho dos demais setores da economia.

Internamente, o Brasil, há anos, tinha medo da agricultura argentina na produção de trigo. Mas, atualmente, quem tem medo de quem? Dos produtores de Velho Mundo?

Foi-se o medo, via desenvolvimento de tecnologias locais. As tecnologias desenvolvidas pela EMBRAPA e pelos sistemas estaduais de pesquisa, aliados a ambição dos agricultores, deixaram para trás as tecnologias dos pequenos, médios e grandes agricultores. Abriu-se o mundo para a soja, o milho e a produção animal, em escala industrial, assim como para o setor de maquinaria agrícola e a indústria de transformação.

É o Novo Mundo abrindo caminho para onde o Velho Mundo não mais é competitivo.

Pode-se afirmar que o Velho Mundo deu as bases para que seus filhos, no Novo Mundo, buscassem seus próprios caminhos.

O tão esperado Acordo de Livre Comércio, na prática, é uma tentativa de sobrevivência dos interesses europeus, do Velho Mundo, e da crescente concorrência da economia do Novo Mundo.

Autor: Roque G. Annes Tomasini. Cadeira 38Academia Passofundense de Letras-APL. Também escreveu e publicou no site “Ciência: ontem, hoje e amanhã”:  www.neipies.com/ciencia-ontem-hoje-e-amanha/

Edição: A. R.

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