Há um fantasma dentro de nós?

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É muito triste quando na doença de Alzheimer morrem os neurônios responsáveis pela existência do EU INTERIOR, SELF, ALMA. A pessoa não se percebe mais. Segue vivendo como um passarinho citado aqui como exemplo desse fenômeno.

O self (Eu interior) é um dos componentes da função mental consciência, que é a capacidade de reconhecer o cenário que está a nossa volta e também que estamos dentro desse cenário, conforme expliquei na crônica de quinta passada.

Uma criança de dois anos não se reconhece no espelho porque os neurônios responsáveis pela percepção de nós por nós mesmos, do EU, ainda não estão ativos.

O cérebro, assim como ossos, músculos, vai amadurecendo aos poucos.

Lembro-me da vez em que um menino dessa idade veio até mim e à sua mãe dizendo: “Tem um nenê ali”. Ele fora a uma sala em que havia uma parede de espelho. Vira ele mesmo no espelho. Mas ainda não se reconhecia. Era como um passarinho que fica bicando no espelhinho de um automóvel. Como um passarinho, percebia o cenário a sua volta, mas não se percebia no cenário.

O menino vai perceber, já o passarinho passará toda sua existência sem perceber a si mesmo. Mesmo assim, conseguirá sobreviver, buscar alimentos, reproduzir-se… Existe, mas não sabe que existe. Não “sabe” que têm uma vida. E que essa vida é finita.

O self (Eu interior) e sua percepção foi uma aquisição evolutiva.

O chimpanzé tem uma certa noção de Eu interior: alguns se reconhecem no espelho.

É muito triste quando na doença de Alzheimer morrem os neurônios responsáveis pela existência do EU INTERIOR, SELF, ALMA. A pessoa não se percebe mais. Segue vivendo como um passarinho citado aqui como exemplo desse fenômeno.

Nosso SELF/ALMA seria apenas alguns neurônios do nosso cérebro que podem ficar inativos ou morrer?

Foi Gilbert Ryle, ao publicar no ano de 1949, em Londres, o livro The concept of mind, que usou pela primeira vez a expressão “fantasma”. Questionou: “Nossa alma são alguns de nossos neurônios ou é um fantasma que se instala e toma conta do nosso organismo”? Ironia que usou em seu debate com aqueles que entendiam que, em determinado momento da vida intrauterina, uma alma penetrava no feto.

Ryle gostava de discussão. Não é o meu caso. Apenas tento simplificar e assim facilitar a compreensão de ideias. Sem julgá-las.

Autor: Jorge Alberto Salton. Também escreveu e publicou no site “Nossas ilusões, como pesam nossas ilusões”: www.neipies.com/nossas-ilusoes-como-pesam-nossas-ilusoes/

Edição: A. R.

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  1. É muito triste quando na doença de Alzheimer morrem os neurônios responsáveis pela existência do EU INTERIOR, SELF, ALMA. A pessoa não se percebe mais. Segue vivendo como um passarinho citado aqui como exemplo desse fenômeno. (Do autor Jorge Alberto Salton)

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