Estamos em choque. Mas temos que agir!

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Muito ajuda as escolas terem alguém ou um grupo com a função específica de detectar e prevenir a violência dentro do seu espaço e nos seus arredores. Esses agentes da não violência vão com o tempo aprendendo muito a respeito e, quem sabe, nos trazer propostas eficazes.

Há dois anos, abordei esse tema ao comentar os crimes em Blumenau, em Saudades e em Aracruz. Volto a ficar em choque com o crime aqui pertinho, na tranquila cidade de Estação, RS.

Como é possível alguém fazer isso?! É pior que o pior dos horrores!

Mesmo em choque, temos de agir. As pesquisas a respeito desses “lobos solitários” revelam que eles ou não apresentam nenhum transtorno mental ou apresentam transtornos antissociais, narcisistas ou psicóticos.

O narcisismo se revela à medida em que eles querem chamar a atenção: pensem mal mas pensem em mim. Há muito que nós psiquiatras solicitamos a imprensa que divulguem o ocorrido, revelem o sofrimento das vítimas e seus familiares, mas não revelem o nome e a imagens do assassino.

O componente antissocial se percebe pela ausência de empatia afetiva e de sentimento de culpa ou responsabilidade por ferir os outros.

O psicótico confunde fantasia com realidade. É ele o menos difícil de ser identificado. E é bom salientar que a maioria das pessoas que apresentam essas alterações citadas não cometem crime. Ou seja, há algo mais que não identificamos ainda.

E aqueles que não apresentam transtornos mentais, como identificá-los? Difícil, muito difícil. Histórico de comportamento agressivo pode ajudar, mas não necessariamente. E o que mais?

Sabemos que o “lobo solitário” age sozinho e por conta, mas mentalmente muitos deles se identificam com algum grupo radical, violento, extremista, excludente, intolerante. Mentalmente não são “lobos solitários”.

Temos muito que observar e aprender para adotar medidas realmente eficazes.

Estudos de casos tentam encontrar características que distingam os futuros “lobos solitários” das demais pessoas. Já se sabe que: (1) não há relação direta com uma doença mental listada nas classificações; (2) há com frequência a presença de traços narcisistas; (3) isolamento social; (4) acesso a armas; (5) agem por conta mas mentalmente estão na bolha de algum movimento violento, discriminador, xenofóbico, excludente; (6) o pensar primitivo, maniqueísta, em dado momento passa a dominar a mente desses indivíduos: os “outros” são inimigos.

Muito ajuda as escolas terem alguém ou um grupo com a função específica de detectar e prevenir a violência dentro do seu espaço e nos seus arredores. Esses agentes da não violência vão com o tempo aprendendo muito a respeito e, quem sabe, nos trazer propostas eficazes.

Estamos todos muito tristes, muito mesmo. Mas a tristeza não pode nos paralisar. Temos de agir. Temos muito trabalho pela frente.

Professora Márcia Carbonari, da rede municipal de Passo Fundo, RS, faz uma interessante reflexão. Assista:

Autor: Jorge A. Salton. Também escreveu e publicou no site “Bruno está infectado pelo maniqueísmo”: www.neipies.com/bruno-estava-infectado-pelo-maniqueismo/

Edição: A. R.

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