Dia da Consciência Negra

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Importante para todos nós o significado do dia da consciência de um povo resistente diante da opressão, capaz de orgulhar-se de seus valores, afirmar sua identidade racial e exigir igualdade de direitos pela afirmação de sua humanidade.

O preconceito, somado com a visão estreita e parcial dos que entendem suas razões como verdades absolutas, não conduzem a nenhum avanço social. Os exemplos sobram na história, quando ações discricionárias e deterministas denotam atitudes negativistas da igualdade racial. Nosso país foi um dos últimos a encerrar a prática escravista, expressão de uma compreensão mercantilista, exploradora e desumana, que usava o mercado de africanos como uma forma simples de resolver o problema do trabalho nas lavouras dos senhores brancos escravistas.

Importante lembrarmos que o 20 de novembro quer homenagear o dia em que Zumbi, o líder negro do Quilombo de Palmares, foi trucidado pelos caçadores de escravos, a serviço dos senhores brancos do poder central. Naquele 20 de novembro de 1695, esse episódio criou condições para que a ideia de liberdade se fortalecesse cada vez mais entre o povo negro e entre os brancos que não eram cúmplices de um império opressor.

A substância essencial da consciência negra se apoia nas significações de resistência, liberdade e emancipação, que investe contra o mito da superioridade branca. A lógica da opressão não se coaduna com a consciência crítica dos que são oprimidos pela identidade de sua raça. Existe uma ideia de libertação na consciência negra, que se torna um substrato filosófico fortalecedor de valores éticos e culturais, capaz de construir uma filosofia da libertação do povo negro, podendo romper com a lógica supremacista da branquitude.

Por tais razões, o fortalecimento da negritude rompe a ideia de servidão e essa consciência de si afirma a identidade, não pela cor da pele, mas pela compreensão de racionalidade presente em todos, sem as diferenças de superioridade e inferioridade entre os humanos.

O colonialismo, o racismo, a dominação dos que se sentem superiores sempre foram fatores impeditivos de compreensão das diferenças raciais, religiosas, culturais, na sociedade em geral. Mas ainda que tentassem suprimir tais diferenças à força, ou pelo extermínio, não conseguiram, porque as pessoas têm os seus valores e o chicote dos senhores nunca foi capaz de anular convicções.

A opressão não pode ser considerada uma fatalidade, um destino, mas é um problema que desafia a racionalidade ética e deve ser enfrentado. A luta racial consegue trazer significados mais perversos do que a luta de classes, porque a exigência de submissão pelos que se sentem superiores por serem brancos, ultrapassa uma lei de mercado e torna-se um determinismo aniquilador.

Importante para todos nós o significado do dia da consciência de um povo resistente diante da opressão, capaz de orgulhar-se de seus valores, afirmar sua identidade racial e exigir igualdade de direitos pela afirmação de sua humanidade.

Que o Brasil avance mais e melhor na qualidade de vida para todos e que não haja espaço para que se cometam mais crimes contra o povo negro. Ousemos pensar e ousemos atuar sobre a importância da igualdade racial em nosso país.

Autora: Cecília Pires. Também escreveu e publicou no site “E a mulher, o que ela quer”?: www.neipies.com/e-a-mulher-o-que-ela-quer/

Edição: A. R.

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