Consciência negra enseja resistir e lutar por reconhecimento e respeito, sempre!

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Através do site, da nossa amizade e do trabalho como divulgador dos conhecimentos das religiões de matriz africana, conhecemos e reconhecemos a importância do trabalho de Ipácio Carolino junto às escolas da rede pública municipal e estadual na região de Passo Fundo, RS. Carolino é um incansável defensor das religiões de matriz africana, acreditando no poder do conhecimento e da educação antiracista.

Ipácio Carolino (Babá Ipácio de Bará Agelu) também recebeu o reconhecimento feito pela deputada estadual Luciana Genro com Troféu Guardião da Ancestralidade.

Luciana Genro defende o direito ao toque dos tambores, reconhecendo-o como uma expressão cultural e religiosa sagrada, e não como mero ruído. Ela realiza audiências públicas, realiza criação de leis que protegem as religiões de matriz africana e elabora materiais informativos e de denúncia contra o racismo religioso e a intolerância.

Alguns registros de evento:

Em 2020, publicamos uma importante matéria/entrevista com Ipácio Carolino e Tânia Mara Duda.

Segue o link: www.neipies.com/conhecendo-religioes-de-matriz-africana-testemunho-de-um-religioso-iniciado/

A nosso convite, Ipácio Carolino escreveu reflexão que segue sobre Política e religião.

Política e Religião

“No meu entendimento, é falsa a afirmação de que política e religião não se misturam. A história nos fala dessa estreita relação entre as religiões hegemônicas e o poder político em detrimento de outras visões de mundo com menor número de adeptos.

Alguns imperadores eram tidos como representantes de deus na terra; outros se diziam o próprio deus em forma humana. Ainda hoje existem governos teocráticos e mesmo os declarados estados laicos privilegiam determinados segmentos religiosos. Resta às minorias resistir, lutar por reconhecimento e respeito.

O Brasil, historicamente, proibiu e puniu a fé dos escravizados e dos povos originários.

E mesmo depois da constituição de 1988, que assegura a laicidade do estado e garante a liberdade de culto e crença em seu art. V, as religiões de matriz africana e afro-indígena são alvo de preconceito, discriminação, ataques violentos, da negligência ou inação do estado em fazer valer o que diz a Constituição.

Os espaços institucionais de poder e de decisão ainda estão sob o controle de quem promove uma “caça às bruxas”. Mas há uma luz na escuridão, uma luz no fim do túnel. É o farol de uma locomotiva que carrega pessoas dispostas a quebrar paradigmas.

A deputada estadual Luciana Genro – PSOL/RS, que não tem religião, tem um mandato que reconhece, respeita e valoriza as minorias – ou as maiorias minorizadas.

Junto com o lançamento da 2ª edição da Cartilha do Povo de Terreiro, instituiu o troféu “Guardião da Ancestralidade”, entregue à dezenas de líderes de terreiros do Rio Grande do Sul.

Sinto-me honrado por estar entre os homenageados e divido e multiplico essa honraria com muitas pessoas. Seria impossível nominá-las todas aqui, desde meus ancestrais, os antepassados, até os meus descendentes. Política e Religião podem coexistir, desde que de forma respeitosa e harmônica, sem que uma anule a outra.

Saravá!

Axé!”

(Autor Ipácio Carolino)          

Para Ipácio Carolino, Babalorixá e Cacique de Umbanda, o reconhecimento dos terreiros como espaços de cura representa reafirmar, dar visibilidade, tornar de conhecimento público aquilo que nós, povos de terreiro, sabemos desde sempre, que a saúde deve ser considerada em três dimensões: corpo, mente e espírito. Leia mais: www.neipies.com/a-ponte-entre-os-terreiros-de-matriz-africana-e-o-sistema-unico-de-saude-sus/

Edição: A. R.

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