CARTAS PEDAGÓGICAS: O que aprendemos com PAULO FREIRE?

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Dos diversos instrumentos do homem, o mais impressionante é, sem dúvida, o livro. Os outros são extensões do seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões de sua vista; o telefone é extensão da voz; ainda temos o arado e a espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação (Jorge Luís Borges)[1].

Estimados e estimadas, há tempo ensaiava mais um livro que pudesse subsidiar nossa caminhada de formação humana no estudo e pesquisa do legado de Paulo Freire. A propósito de prestar-lhe homenagem, no decorrer do trigésimo ano de sua partida, maio/2026-maio2027, anuncio CARTAS PEDAGÓGICAS – o que aprendemos com PAULO FRERE. Certa de que Freire tenha levado um pouco de sol de nosso mundo, somos muitos que abraçamos o compromisso ético, pedagógico e político de impedir seu esquecimento. 

O trabalho aqui concretizado foi intenso e prazeroso. Mexer com memórias desinstala nosso medo de pensar e escrever, exige nossa retirada dos ruídos do mundo, para fazer as lembranças fluir e ordenar a memória no papel. Valeu o esforço, sobretudo, os aprendizados.

Essa escrita, um olhar retrospectivo e projetivo com Cartas Pedagógicas, pretende ser um diálogo pedagógico com educadores, educandos, pesquisadores, engajados e ocupados há tempo com a temática, e outros, agregados, recentemente. Quer também conversar com adolescentes e jovens da educação básica e superior, que antes de conhecer e apreciar os diferentes gêneros literários, lhes é roubada a liberdade, aprisionados às redes digitais. Deseja oferecer alguns elementos de análise de experiências valiosas que contribuíram com o fortalecimento deste debate circular, fazendo a roda girar mais rápido pela força pedagógica multiplicadora de novos grupos e locais de trabalho.

A rigor, pode ser tomada como inventário de um processo que articula estudo e formação, compromisso e elaboração, fundamentada na Educação como Prática da Liberdade. A quem preferir, pode ser um guia de estudo da construção memorial do movimento pedagógico que vem cercando largamente o tema, em diferentes regiões do País, crescendo em estatura e qualidade o trabalho com cartas pedagógicas, para além fronteiras.

Com esse esforço, deseja-se despertar e incentivar a criação de novas iniciativas, que venham alimentar a dinâmica de estudo, pesquisa e escrevivência de Cartas Pedagógicas. Pois, o que já estudamos é minúsculo, comparado ao que está para ser desvendado.

Com mais esta singela obra, espero contribuir com o debate e fortalecimento da temática em questão.

Abraço fraterno,

Isabela Camini. Do Setor de Educação do MST. Doutora em Educação/pela UFRGS.

LANÇAMENTO – março/2026.

Autora: Isabela Camini. Também escreveu e publicou no site Natalino e Anoni: memórias eternizadas no tempo: www.neipies.com/natalino-e-annoni-memorias-eternizadas-pelo-tempo/

Edição: A. R.


[1] BORGES, Jorge Luis. Borges Oral. Madrid, (1999, p. 9).

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