O que eu penso não é mais do seu interesse/ e o que ele me traz à tona me torna mais/ indiferente.
Fiz um acordo com o inconsciente!
Prometi jamais revelar ao mundo o que ele pensa.
Em troca,
prometeu a mim que esquecerá o que mente;
em um jogo de empurra…
Uma promessa doente.
O que eu penso não é mais do seu interesse,
e o que ele me traz à tona me torna mais
indiferente.
Não o revelo a ninguém!
E ele nem pensa em me denunciar em sã consciência.
Pois como mentir é seu talento,
os sinistros em que penso toda hora, são inocência.
Por sua vez,
ele esquecerá meus contratempos.
E tem mais; nas tragédias que se empilham à frente,
ficará em silêncio.
Sobre as desgraças em que me lembra,
nada falo e nem lamento.
E chegou o dia para assinar o acordo!
Pedi a ele esquecer aquela mulher.
Bem que tentava, dizia, mas a trazia sempre envolta.
Tanto fiz para esquecê-la, que, perplexo,
passei a lembrá-la muito mais…
como que em uma reviravolta.
Não me dando por vencido,
escancarei minha revolta!
Para esquecê-la, dei-me por esquecido.
Puro engano!
Todas as noites ele a trazia de volta!
(20/08/2024)
Autor: Nelceu A. Zanatta. Também escreveu no site “O santo mel de cada dia”: www.neipies.com/o-santo-mel-de-cada-dia/
Edição: A. R.











