A noite diz e ensina – Reflexões sobre “Confidências da Noite”

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Autoras como Luciana Marinho não podem estar apenas nos saraus, com alguns leitores ilustrados, seus escritos tem que ir para as escolas. Os professores tem que puxar a leitura e a escrita em sala de aula.

“Confidências da Noite – poemas, sonhos e delírios” é um livro de 60 páginas da escritora Luciana Marinho. Nascida em Porto Alegre, filha de uma professora inspiradora, mora em Passo Fundo.

Luciana participa ativamente da Academia Passo-fundense de Letras e de vários movimentos culturais.

É escritora, poeta, contadora de histórias, produtora cultural e gestora de projetos. Docente do programa Jovem Aprendiz Senac Passo Fundo. Youtuber no canal Mil e uma Histórias.

Fundadora e administradora da Projetos Sorrisos Editora e Produtora Cultural.

Chega. Vamos ao seu livro de poesias. É um livro de 2020, contando com ilustrações de Giúlia Cittolin.

Há uma sintonia do título com uma capa pretíssima e as nuances de letras e traços em branco como luzes abrindo caminho dentro da escuridão.

Um livro para todas as mulheres, com seus sonhos, a gente sonha mesmo à noite, mesmo sendo um mistério, aqui se mostram plenos de sentidos.

E ela vai dizendo que “esse livro não foi escrito,/ Ele foi tecido.” Está ali na palavra-titulo TEAR.

E este “tear” de Luciana vai desenrolando novelos. Cada pouco tem as palavras que denotam estados da alma, como solidão (umas 8 vezes), noite (uma dúzia), madrugada (6 vezes), com a sua reiteração marca-se uma cadência na obra, marca um estado de espírito, que tem que ser passado. A notícia do faminicídio da amiga é lida num jornal velho numa noite insone.

No entanto, calma, lá na página 54 lemos “Um poema para mim”:

                   “Mesmo exausta

                   Sou toda cor.

                   “Dor? Sim, às vezes,

                   Mas é o amor que me conduz.

                   Se eu desisto hoje,

                   Amanhã, já esqueci.

                   Voltei a lutar.

                   E nem percebi.”

Ou seja, é luta entre as dores, as mortes, solidão, as trevas (com seus “impulsos negativos/destrutivos, insanos”), a angústia, a raiva e lá vai… e a dança da menina que cresce e vem a maturidade.

Luciana trabalha esta vida com este lado soturno, doentio, mas que lá vem mais uma vez a menina rodopiando, sempre tem alguma luz, pois o dia traz esta claridade.

Aqui, volto a um debate que corre na atualidade: ler clássicos, ler os novos. Não temos “grandes” nomes. Ora, não teremos grandes nomes sem a leitura de quem escreve aqui e agora.

Autoras como Luciana Marinho não podem estar apenas nos saraus, com alguns leitores ilustrados, seus escritos tem que ir para as escolas. Os professores tem que puxar a leitura e a escrita em sala de aula.

Por fim, fico feliz em ver uma autora como Luciana, escrevendo, fazendo projetos na área do livro, vivendo basicamente destes afazeres.

Continuemos escrevendo, nós temos que ler e divulgar: é nossa obrigação.

Fotos: Divulgação/arquivo pessoal

Autor: Adeli Sell. Professor, escritor e bacharel em Direito. Também escreveu e publicou no site “Ler, escrever e publicar”: www.neipies.com/ler-escrever-e-publicar/

Edição: A. R.

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