A Literatura infanto-juvenil deve estar a serviço da psicopedagogia, apresentando o lado maravilhoso, belo, fantástico, estético e ético em tudo que ofereça para estimular o desabrochar das boas tendências inerentes à inteligência da criança e do adolescente.
Na floresta encantada, no recanto dos Bem-te-vis, morava a Macaca Belinha. Sua casa, muito bonitinha, era em cima de uma enorme árvore. Para chegar até sua morada, utilizava-se de uma escadinha de cordas, que era recolhida à noite, por segurança.
Ela era muito querida por todos os bichinhos que moravam na floresta pois trabalhava como enfermeira tratando da saúde de todos. Possuía dois cachorrinhos, Lulu e Tob-Tob, que a ajudavam muito. Na frente da árvore onde vivia, ficava o Centro de Saúde onde eram tratados os bichinhos doentes que eram encaminhados pela Dra. Coruja Orelhuda e pelo Dr. Tamanduá Bandeira. Belinha era assessorada por uma equipe de auxiliares, entre eles o Burrinho Juca, o Cachorro Peludo, a Avestruz Pernuda pois muitas vezes os doentes ficavam internados por vários dias.
Macaca Belinha preparava os remédios que eram necessários para os tratamentos dos enfermos: pomadas, xaropes, chás e tinturas. As abelhas lhes traziam mel e a cera da colmeia. Ela colhia as ervas medicinais como a melissa, a camomila, a losna, a macela, a arnica e várias outras plantinhas que haviam na região central da floresta que tinha lindo lago, onde os bichinhos tomavam água e se banhavam.
Todas as quartas-feiras, pela manhã, bem cedinho, quando o sol despontava, Belinha e seus dois cachorrinhos pegavam o ônibus-elefante e iam até a região do lago. Depois da colheita das ervas, todos se deliciavam nas águas do lago, junto com outros animaizinhos. Após o banho, comiam um delicioso lanche oferecido pelos amigos que moravam por perto. Antes do meio-dia, pegavam o ônibus-elefante para retornarem à casa.
Um dia chegou a notícia de que, bem longe dali, foi encontrado um lobo muito doente e abatido e que era desconhecido no local. Belinha pediu para seus dois ajudantes fortes que levassem uma maca para trazerem o lobo para atendimento, pois certamente estava precisando de ajuda. Sabem quem era ele? – O Lobo Mau!!!

Lobo Mau, depois de ter queimado o rabo na água fervente, ao entrar pela chaminé na casa do porquinho Cícero, fugiu para a floresta onde ficou escondido, muito envergonhado e arrependido por ter prejudicado os porquinhos Prático e Heitor, desmanchando suas casinhas e tentado, também, destruir a de Cícero. Não tinha mais coragem de permanecer onde morava e era conhecido por todos, retirando-se da região, doente e depressivo. Não teve coragem de pedir perdão aos Três Porquinhos porque tinha certeza de que eles não queriam vê-lo mais por perto. E agora, depois de ter corrido muito, estava esgotado, com seu rabo queimado doendo demais… Ele já não podia nem andar.
Sem forças para continuar sua fuga, aparecem-lhe Juca e Peludo para ajudá-lo. Foi colocado na maca e levado para o Centro de Saúde da floresta, onde foi examinado pela Dra. Coruja Orelhuda que orientou a enfermeira Belinha para o tratamento: primeiro um banho completo; depois um lanche nutritivo, a seguir, um curativo especial no rabo e beber uma tintura energética, três vezes ao dia, mais uma xícara de chá calmante, quatro vezes ao dia e descansar bastante e se alimentar bem. Recomendou que fosse tratado muito carinho pois estava em sofrimento por alguma coisa, e que ficasse internado por uma semana.
Enquanto tratava o doente, Belinha conversava come ele, que chorava muito. Aos poucos, foi contando o que havia feito de mau e como estava arrependido e questionava o que seria dele longe de onde morava, sem casa e sem amigos. O que fazer?
Com o tratamento de uma semana, o Lobo Mau sentia-se melhor e fortalecido. Belinha e seus auxiliares ofereceram-lhe trabalho ali no Recanto dos Bem-te-vis. Poderia ser guarda-noturno, trabalhando à noite para proteger o local de bichos invasores e bagunceiros que rondavam a floresta. Teria um espaço para morar, bem simples, onde dormiria durante o dia. Ele, muito contente, aceitou a proposta, para a alegria de todos. Agradeceu muito pelo tratamento que teve e pela confiança que estavam dando a ele e, aos poucos, foi se adaptando à nova vida com muita força de vontade de se melhorar.
Lobo Mau pensava consigo mesmo que, no futuro, procuraria os Três Porquinhos para pedir perdão pelo mal causado a eles, lhes propondo ressarcir pelos prejuízos causados.
Com a esperança desse dia que viria, por certo e em breve, o Lobo, agora bom, trabalhava, se esforçando bastante…
CONSIDERAÇÕES DA AUTORA:
Por que transformar a figura do Lobo Mau em Lobo Bom?
Esta mudança pode ser proposta à mente infantil, não na fábula original, que não deve ser alterada pois educa as emoções básicas: o medo, a tristeza, o afeto, a raiva e a alegria, mas numa nova história na qual se verificam as consequências das ações dos personagens da fábula original.
A história, adequada à compreensão do ouvinte ou leitor, tem o poder de falar, em profundo silêncio, ao espírito infanto-juvenil, educando-o através dos fatos narrados. À luz da Psicologia, os diversos estilos literários propõem, além de educar, revestir-se de humor, otimismo e esperança como terapêutica de traumas, inibições, problemas emocionais, etc. Quanto mais elevação e pureza são propostas pelo texto de forma vigorosa e colorida, maior é o impacto no ouvinte ou leitor que o absorve como um alimento para a alma.
A Literatura infanto-juvenil deve estar a serviço da psicopedagogia, apresentando o lado maravilhoso, belo, fantástico, estético e ético em tudo que ofereça para estimular o desabrochar das boas tendências inerentes à inteligência da criança e do adolescente.
Atualmente predominam nos meios de comunicação textos de literatura que exploram argumentos deletérios para a alma, como sabotadores, criminosos, violência, decadência moral. Os responsáveis e educadores têm que questionar: Para que servem? Qual é o seu objetivo?
Os adultos responsáveis devem conscientizar-se de eles provocam na mente um prejuízo imenso, pois induzem à maldade, à violência, à degradação moral. Estimulam comportamentos instintivos e animalescos, promovendo a situação caótica em que a sociedade atualmente se encontra.
O bom texto infanto-juvenil deve ter finalidade educativa: promover o desabrochar das potencialidades divinas que estão em gérmen no âmago de cada um. Com suas lições edificantes e recreações sadias promove sonhos benéficos e desejos positivos no coração do ouvinte ou leitor.
Não podemos esquecer que Jesus, o Mestre por excelência, foi o grande contador e valorizador da história, pelo uso que dela fez. Descortinou para o mundo a mensagem do amor e da paz, alicerçada nas ilustrações adequadas ao entendimento e às experiências de vida daqueles que O seguiam e ouviam avidamente.
Autora: Gladis Pedersen – Educadora. gladispedersen@gmail.com Também escreveu e publicou no site “A fábula O Lobo mau e os três porquinhos”: www.neipies.com/a-fabula-o-lobo-mau-e-os-tres-porquinhos/
Edição: A. R.












Uma publicação necessária, em tempos tão difíceis como esses, onde deixamos o mal prosperar sem saber como dar-lhe limites. Nossas crianças merecem crescer com bons exemplos, boas lições, descobrindo a força do BEM para neutralizar o mal. Grata por mais esta contribuição à conquista de um mundo melhor. Abraços!!!
Obrigado por mais esse auxílio.
Grato pela lembrança no envio da história.
“Enquanto tratava o doente, Belinha conversava come ele, …” acho que é uma pegadinha .
Aguardando o novo 📔 livro.
Saudade
Abraço
Parabéns Gládis, por está bela história.
É uma história própria para as crianças mas, com certeza, os adultos aguçam sua imaginação e se deliciam neste mundo mágico, onde os bichos falam, são amigos e respeitam a natureza. E como as crianças, aprendem os valores verdadeiros da vida.
Trabalho lindo da Gladis Pederson de trabalhar os valores bons nas crianças através da contação de histórias.
Acima já escrevi
Maravilha, que Deus continue abençoando seu trabalho.
Abração querida