manoelManoel Soares Magalhães, 61 anos, é natural de Pelotas. Jornalista, escritor e artista visual. Poderia parar por aqui, mas graças à inquietação criativa que o move, faz incursões em outras searas. É autor teatral e roteirista de cinema, com premiações nessas atividades. Entretanto, é com o escritor e o artista plástico que mais se identifica, sobretudo com o criador visual, onde desenvolve extenso trabalho no gênero naïf (pintura primitiva). Era ainda jornalista, funcionário da Gráfica Diário Popular, de Pelotas, quando começou a interessar-se pela literatura. Em 1995, pela Editora da Universidade Federal de Pelotas, lançou “Dois Textos Marginais”, contos; em 1999 publicaria pelo selo da Livraria Café Pelotas “O abismo na gaveta”, romance inspirado na vida do poeta pelotense Francisco Lobo da Costa; em 2002 publicou pela LEB – Livraria & Editora Bageense o romance “O homem que brigava com Deus”; em  2008 lançaria o romance “Vampiros”, pela Cultive Ler Edições; e em 2013 chegaria à luz o romance “Senhora do Amor”, inspirado na passagem por Pelotas dos artistas italianos Aldo Locatelli e Emílio Sessa, responsáveis pela decoração da catedral São Francisco de Paula, padroeiro da cidade.

manoel_quadro_interno
Mercado Central de Pelotas acrílica s/tela 38×55

Quando poderia estar descansando da atividade literária, põe-se à frente do cavalete e cria mundos imaginários, de rico colorido, carregado de símbolos da cultura popular e religiosa do sul do Brasil. Até o momento o ápice de sua criação como artista visual foi narrar através de crônicas visuais a história da atividade saladeril de Pelotas, no século XIX, sob o ponto de vista dos escravos.

Abrimos duas “janelas” para ver a criação literária do escritor-pintor:

Na sujeira das unhas achei uns versos – 6

se você é capaz de carregar
na palma da mão uma bolha
de sabão sem destruí-la é
porque experimentou na alma
a força do amor não vulnerável

caminhe pela estrada pedregosa
e sinta-a como o caminho ao
aconchego da alma encarcerada
no corpo magoado que titubeia
sobre pés cansados de andar

abra os olhos e veja além do
que é visto de sol a sol enquanto
teu espírito goteja como orvalho
nas verdes folhas de uma planta
escondida no labirinto do jardim

cale a boca se vida não podes
dar ao poema que morre à língua
nas manhãs serenas de tua vida
enquanto andas por aí sob as
ordens do tempo que escraviza

As perguntas que Neruda não fez

Por que os anos não têm a majestade e
a longevidade das figueiras?

Os meses vagueiam pelo ano como
centopeias grávidas de números?

Não será o ano um dromedário
que morre aos 12 meses?