mocambique-1O melhor lugar do mundo é onde somos capazes de ser amantes e amados. Há um mês vivo a experiência de descobrir e amar um novo mundo. A África, ainda que desconfiada pelas tantas estranhezas que carrego, me mostrou que a melhor acolhida acontece na simplicidade e na ternura.

Dia 13 de setembro fui recebida com cantos, batuques e sorrisos na comunidade missionária da Igreja do Rio Grande do Sul em Moma, distrito da Província de Nampula, norte de Moçambique. Aqui, atendemos duas paróquias e cerca de 150 comunidades.

A chegada e a recepção calorosa do povo africano

Assim que cheguei ganhei de presente da outra missionária de nossa equipe uma capulana. O pano, sempre colorido, retrata cheio de poesia a vida e a cultura deste povo. Utilizada para vestir, a capulana acolhe também o alimento sobre a mesa e a criança nas costas de sua mamá. Com o presente, lembrei-me de Jesus ao lavar os pés de seus amigos. “Ele se levantou da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura”.

Assista vídeo da chegada (minha e de Dom Jaime Kohl)

Para mim, foi assim que Jesus ensinou que precisamos sair do nosso egoísmo, do nosso casulo, para ir ao encontro dos outros. Quando nos desfazemos do nosso manto, nos despojamos dos fechamentos, preconceitos, medos e inseguranças que nos limitam ou bloqueiam no serviço ao irmão. A capulana foi para mim a porta deste mundo cheio de novidades.

Certamente um mês é pouco para qualquer impressão, mas uma coisa é certa: cada mão estendida nos lugares que chego me ajuda a compreender que caminho nos trilhos da felicidade. Especialmente nestas horas sinto que minha vida é útil e ganha sentido no olhar ainda curioso daqueles que me acolhem.

Se tem uma coisa que já aprendi é que aqueles que pouco ou nada têm a perder são ótimos anfitriões.

Seus sonhos e suas esperanças – os maiores bens que têm – não podem ser roubados pelos que chegam.

Aos poucos Moçambique se revela na história e na vida do seu povo. Quando comemos com eles, sentamos a sombra de cajueiros e mangueiras, caminhamos em suas trilhas e partilhamos seus alimentos, é que podemos perceber seu dom de transformar a angústia em esperança.

Seguimos juntos, em ação missionária pela vida e pelo novo mundo que acreditamos.

  • Martha Dias

    Parabéns Victória!!!! Que tua loucura te leve sempre por caminhos de esperança e solidariedade para com os que mais necessitam !!! Deus te acompanhe e te guarde sempre!