Saci-Pererê: um dos mais importantes mitos brasileiros

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Mentira ou verdade, Saci-Pererê representa o espírito
de liberdade, paz força e espontaneidade do povo brasileiro.
Antes festas em homenagem ao Saci para resgatar a fantasia da criançada do Brasil,
ao invés de copiar os estrangeirismos que manipulam as crianças e os jovens.

 

Os mitos e lendas são parte importante do folclore linguístico e literário de um povo. Comemorá-los, estudá-los e entender suas significações são fundamentais ao entendimento da história, da alma e da identidade brasileira.

Saci-Pererê, o mais simpático dos mitos brasileiros, surge como contraponto aos monstrengos internacionais, como os contidos no Halloween, tanto é que a cada dia 31 de outubro foi criado o Dia do Saci e seus amigos.

O escritor Monteiro Lobato foi, dentre outros escritores e estudiosos, um dos pioneiros no resgate do folclore literário brasileiro.

Eládio Wilmar Weschenfelder, homenageado como agente cultural, lembra que Monteiro Lobato tinha convicção de que um país se faz com “homens e livros”. “Um país se faz com homens, mulheres, crianças, livros e leitores”. Eládio disse ainda que num país desigual como o nosso, além da falta de acesso aos meios como a terra, aos alimentos, à dignidade, à saúde, não existe também o acesso aos livros à nossa população, pois bibliotecas não estão abertas ou nem existem em muitos lugares e cidades.
Veja a reportagem completa aqui.

 

Em 1917 procedeu a uma consulta popular através de cartas, nas quais solicitava aos leitores do jornal O Estado de São Paulo, relatos e experiências com o simpático, travesso e moleque de uma perna só. Com a riqueza das informações recebidas, publicou a obra O Saci-Pererê: resultado de um inquérito.

Anos mais tarde, Pedrinho, já no sítio de Dona Benta, movido pela curiosidade, ouvirá da boca do Tio Barnabé, que tinha mais de oitenta anos, os relatos de que viu o Saci quando menino, ainda no tempo da escravidão, na fazenda de Passo Fundo.

Quem não conhece a obra lobatiana O Saci, que teve as primeiras edições publicadas pela Companhia Editora Nacional! Por sua vez, também o estudioso Câmara Cascudo teve como objeto de estudo o mito do Saci, sendo que o tema, a partir de então, rendeu uma série de livros, teses, filmes e artigos na imprensa.

 

 

Contamos para vocês como surgiu o Saci Pererê, sua lenda e história. Divirta-se com esse novo personagem do programa Que Legal! Vídeo

 

Fisicamente, Saci é um menino afro-descendente que só tem uma perna, usa carapuça vermelha, leva na boca um cachimbo aceso e tem um furo na mão.

Psicologicamente, Saci é um ente livre e que, por isso, vive fazendo artes do tipo: azeda o leite, quebra a ponta das agulhas, embaraça os novelos de linha, esconde as tesouras, coloca sujeirinhas na comida, gora os ovos, vira os pregos para cima, atropela as galinhas, espanta os cavalos. Enfim, diz Tio Barnabé: “O Saci não faz maldade grande, mas não há maldade que não faça”.

Sendo um menino livre da escravidão negra no Brasil, Saci, para ter visualidade, apronta, como todo garoto, suas artes. No entanto, é especial, pois fruto da brutalidade, perdeu uma perna, significando que e a escravidão foi feroz também com as crianças afro-descendentes.

Seu cachimbo incorpora a tradição indígena, pois seus caciques selavam acordos, fumando o “cachimbo da paz”. Usa a carapuça vermelha, visto que assimilou, em parte, a cultura europeia, lembrando os imigrantes europeus e emblemas da liberdade na Roma antiga. Lembra também o barrete (gorro) adotado pelos camponeses ibéricos e os republicanos após a Revolução Francesa de 1789, assim como a força de Sansão que estava nos cabelos. Tem um furo na mão para fazer mágicas com as brasinhas acesas, as quais também sevem para acender o cachimbo.  Portanto, estão presentes no Saci as características dos três povos que deram origem ao povo brasileiro: os índios, os afro-descendentes e os europeus.

Mentira ou verdade, Saci-Pererê representa o espírito de liberdade, paz força e espontaneidade do povo brasileiro, juntamente com seus comparsas da boa fantasia: Boitatá, Caipora, Cuca, Negrinho do Pastoreio e tantos outros.

Antes festas em homenagem ao Saci para resgatar a fantasia da criançada do Brasil, ao invés de copiar os estrangeirismos que manipulam as crianças e os jovens. Deu pra ti, Halloween. Viva o Saci-Pererê!