A Escola Estadual Protásio Alves é a
mãe de todas as outras escolas e muitas memórias
foram levadas com pessoas que não estão mais entre nós.
Mas nós continuamos a dar a vida e o sangue
para dar boa educação ao povo de Passo Fundo.

 

Dia desses, nosso diretor Júlio Cesar Taietti Borges me chamou para contar uma passagem um tanto curiosa e, por outro lado, compreensível.

Dizia:

“Uma noite, num sábado, estava na minha sala terminando o horário das turmas quando, de repente, não mais que de repente, ouvi um barulho de que alguém tivesse batido muito forte uma porta.

No mesmo momento saí da minha sala, no corredor estava um tanto escuro. Logo acendo a luz do corredor. Desço silenciosamente as escadarias solitárias para chegar no andar de baixo, resolvi gritar, chamar por alguém, por mais que a certeza de havia somente eu naquela noite, mas como de supetão minha branda:

– Xuxa!!

Claro que apenas ouvi o eco de minha voz pelo solitário, frio e sombrio andar de baixo. Não mais que um segundo depois ouço bater estrondosamente a porta da minha sala no andar de cima.

Subo ofegantemente para ver, mas na minha vaga lembrança havia deixado a porta fechada. Quando acesso o andar superior, realmente constato que realmente a porta da minha sala estava chaveada.

Meu coração nesse momento começou a palpitar. Porém, logo penso: – deve coisa da minha cabeça.

Sento-me novamente em frente ao computador para terminar o horário, pois na semana seguinte essa tarefa deveria estar pronta. Olho pelo vitro que reflete a luz de fora enxergo um vulto passar.

De súbito abro puxo a porta para ver se enxergava algo nada, porém no memento que olho para outro lado aparece um reflexo no fundo do outro corredor de uma figura passar apressadamente.

Naquele momento, não consegui pensar em nada, pois meu cérebro estava congelado, apenas saí porta fora, sem que houvesse mais tempo para nada, nem se quer acionar o alarme. Desde aquele dia, fico pensando em coisas que não me largam a memória, pois, numa escola centenária como a nossa, muitas almas já passaram por aqui”.

Quando o diretor me contou isso, logo me passou pela cabeça que nossa escola passa 07 anos de um século e, por isso, quanta energia de vida, de desafios guarda no seu interior.

 

Protásio Alves: a mãe de todas as outras escolas

Não podemos esquecer que a Escola Estadual Protásio Alves é a mãe de todas as outras escolas e que muitas memórias foram levadas com pessoas que não estão mais entre nós.

Essa instituição vive ainda, por nós, educadores lutadores que derramamos o sangue para dar a boa educação ao povo de Passo Fundo.

“Podemos dizer que ela é o coração da cidade. Tanto é verdade porque guarda no seu endereço apenas Avenida Brasil, sem número, pois é o “Marco Zero” da cidade”.

A beleza está na vivência de quem se foi e de quem ainda vive, pode ser a beleza interna que é o pedagógico quando se atinge o sucesso de efetivar o conhecimento naqueles que ainda tem sede de aprender.

Percebemos o encantamento externo que é a parte predial que, graças a uma restauração minuciosa, renasceu como um dos prédios mais antigos da cidade. Tem acompanhado as manifestações de carinho que as pessoas têm pela escola centenária. Agora tomando o seu lugar de destaque, com visibilidade merecida.

 

Prédio e visual da escola hoje, em 2017

 

Para exaltar um pouco mais a beleza de educar também precisamos expor os desafios da parte pedagógica, que é o suporte da escola, pois ainda vivemos um momento nada animador porque há falta de muitos professores que nos deixa ansiosos e aflitos.

Muitos educadores adoecem porque estão sobrecarregados, com até 4 escolas para dar conta. Pergunto-me: – Como é possível um educador manter qualidade educacional com uma rotina fatigante diária. Outros ingressam e logo desistem diante do desencantamento da profissão, alunos indisciplinados, demora em receber, salários parcelados e congelados, além de terem o décimo pago em 12 vezes.

Sei que esta pode ser uma história um tanto assombrosa vivida pelo nosso diretor, porém consigo até entender e acreditar que se trata de várias almas inconformadas com a educação que vivenciamos em comparação à de tempos passados.

Sabemos que cada um tem uma mala (metaforicamente falando) para carregar neste caminho, neste processo educacional. Ela pode ser pesada, exigindo esforço.

Um novo Protásio Alves

Às vezes precisamos esvaziar as malas, mas o carregar ou o esvaziar depende de cada um. Isso é uma motivação pessoal e individual, todavia se cada um cuidar da sua mala, como deve ser, o desafio passa a ser coletivo, o que é o mais importante. Assim, torna-se mais fácil trabalhar e estudar numa escola mais leve e muito mais, ser feliz.

De mala leve, sua viagem será muito mais alegre e feliz porque a felicidade não é uma coisa grande e pesada. A felicidade é um monte de coisinhas que nos tornam mais próximos uns dos outros, mais companheiros, satisfeitos com aquilo que temos e, sobretudo, com aquilo que somos”. (Rosane Rupolo Mendes, 09/02/2017)