Conta a história de uma máquina poderosa, mas que um dia paralisou.
Para consertá-la foram contratados três profissionais.
Somente um deles, com sábios atributos,
no tempo de um segundo, a pôs a funcionar.
A sabedoria tem seu preço.

 

Em uma grande fábrica havia uma máquina-mãe, que comandava todas as outras. Caso ela falhasse, falhariam, tipo dominó, as outras, paralisando a indústria. Mas tanto foi, até que, um dia, ela falhou. Então tudo ficou paralisado.

Preocupado, o dono da fábrica foi ao Conselho Consultivo para relatar o ocorrido e solicitar ajuda, pois os prejuízos diários seriam enormes.

Um conselheiro lhe sugeriu:

– Conheço um tal de “Faz-tudo”. Tenho certeza de que ele conseguirá retificar a máquina. E tem mais um detalhe importante: ele cobra barato!

– Mandem chamá-lo, ordenou o empresário.

Chegado o “Faz-tudo”, observou atentamente a máquina e disse:

– Preciso de um dia para consertá-la.

O homem trabalhou dia todo procurando descobrir o defeito. Nada conseguindo, procurou o chefe e disse:

– A máquina é muito sofisticada! Levantei várias hipóteses, mas, infelizmente, não consegui localizar o problema.

Preocupadíssimo com o dia sem produção, o empresário consultou um amigo, o qual foi taxativo:

– Indicarei um técnico especializado. Porém, vou te avisando que ele cobra muito bem pelo serviço!

– Não importa. Agora a prioridade é fazer a máquina-mãe funcionar. Estamos com a produção zerada. A gente negocia o preço do conserto. Chamam o tal técnico imediatamente! E assim foi feito.

Quando ele chegou, olhou, analisou a máquina e disse:

– Precisarei de dois dias para fazê-la funcionar.

O sujeito trabalhou exaustivamente durante os dois dias. Ao final, comunicou o dono e disse:

– Sinto muito! Estou triste por não conseguir fazer a máquina-mãe funcionar! Depois retirou-se calado.

Indignado, o empresário falou:

– Há três dias que estamos totalmente paralisados. Assim vamos falir! Pelo amor de Deus, temos que encontrar alguém competente, que dê vida à máquina-mãe!

No fundo da fala, um humilde funcionário sugeriu:

– Conheço um engenheiro mecânico. Ele, com certeza, dará vida à máquina-mãe. Porém, já vou adiantando que ele cobra caro!

– Mandem buscá-lo agora! O que interessa é que ele seja sábio. O preço, a essa hora, parece ser secundário, pois a fábrica não pode ficar inativa. Todos dependemos dela.

Quando o engenheiro mecânico chegou, foi direto àquela poderosa máquina. Nada falou. Apenas girou uma peça. Pronto! Em um segundo a bendita máquina-mãe voltou a funcionar.

Em seguida, o engenheiro foi conduzido ao gabinete do empresário.

– Parabéns pelo trabalho e pela rapidez no conserto da máquina-mãe! Quanto te devemos?

Ele foi taxativo:

– Dez mil e um reais!

– Estás ficando louco! Dez mil e um reais por um segundo de trabalho? É extorsão!

O engenheiro mecânico nada disse. Apenas bebeu uma xícara de café. O industrial, aos poucos, foi se conformando, a ponto de lhe solicitar uma nota fiscal com os valores discriminados.

O engenheiro, calmamente, preencheu a nota:

– R$ 1,0 pela mão-de-obra; R$ 10.000,00 pela sabedoria em localizar, em um segundo, o defeito da máquina-mãe.

E ensinou:

– Teu barato te custou muito caro, pois contratando pessoas incompetentes, perdeste três dias de produção. Da minha parte, levei anos para cursar uma boa faculdade. Ralei noites a fio, preparando-me para as provas, exames e estágios. E mais, continuo a viajar em busca dos saberes globalizados. Tudo tem seu preço, Senhor!

E retirou-se consciente e tranquilo da missão cumprida. Até que, noutro dia, novamente o engenheiro foi chamado para…

Mas esta já é outra história.