A pressa nos trai, nos incomoda,
nos atormenta, nos persegue, nos escraviza.
A oportunidade de amar liberta do tempo e também do espaço.
Viva o amor no tempo do agora e se eternize no agora permanente.

 

Um dia, há alguns anos atrás, escrevi em algum lugar assim, nalgum tempo e espaço, sobre o amor no tempo presente:

“Nosso amor não está apenas no espaço, devendo estender-se a todos os seres humanos, como tarefa de realização, mas também está no tempo. Nosso tempo caracteriza-se pelo amor: leva a amar. Por isso São Paulo nos garante que ele tem um peso de eternidade. O amor que agora conseguirmos vivenciar será o que marcará nossa vida eterna.

O tempo, visto na perspectiva do amor, torna-se extraordinariamente precioso. Por ele construímos nossa eternidade. Trata-se, pois, de um dom de Deus: o talento que recebemos, para trabalhar com ele.

Nosso amor tem a dimensão do nosso tempo e o tempo adquire o valor do nosso amor: quando o amor cresce e se exerce, o tempo ganha em importância; quando, ao invés, não se ama ou até se odeia, perde-se o tempo. Não importa o que se faça, se for sem amor, será tempo perdido”.

“Nossa civilização “encaixotou” o afeto. Sim, logo o afeto que estimula a criarmos as condições para nossa plena realização humana. O ser humano é um ser em construção e, por isso mesmo, demanda e exige investimentos afetivos a vida toda. O cuidado, como algo essencial e que constitui a nossa condição humana, deve ser resgatado se quisermos devolver à humanidade o verdadeiro sentido de sua existência”.
Nei Alberto Pies, professor e escritor

 

Não lembro em que contexto e por meio de que fonte escrevia esses pensamentos. De fato, resgato esse tema, essas ideias, para reafirmar de que quem ama não morre e de fato se eterniza. O momento presente se torna perene no amor vivido e celebrado a cada momento como único e irrepetível.

O tempo é perene para quem ama de verdade e na verdade. “Foi o tempo que dedicaste a tua rosa que fez a tua rosa tão importante”, escreve Antoine de Saint-Exupéry, na obra clássica “O Pequeno Príncipe”. Percebemos que o mundo não nos dá mais tempo para amar.

Fabricamos a pressa, a velocidade das coisas, do tempo, perdendo-nos no espaço onde habitamos. Não nos permitimos mais perder tempo para celebrar o amor verdadeiro, para parar no tempo. Não queremos mais perder tempo nas pequenas coisas mais simples e cotidianas. Temos grandes negócios a resolver, a decidir, e precisamos correr atrás de uma máquina. Somos robôs de uma engrenagem que nós mesmos criamos.

Gosto de uma música de minha terra gaúcha, de João Chagas Leite que canta assim: “Só temos pressa, e mais pressa pra ter pressa, receita louca que inventamos pra morrer, de neuroses e calmantes pesticidas, matando a vida que esta doida pra viver”.

 

 

A nossa neurose inventou a pressa, parecendo que estamos perdendo grandes coisas quando diminuímos a marcha ou não fazemos absolutamente nada. Curto muito a frase de outra canção, agora sertaneja, de autoria dos compositores Almir Sater e Renato Teixeira:

“Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso, porque já chorei demais, hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe, só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou nada sei, conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs, é preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz, pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir”.

 

 

O problema é que o ontem não volta mais, verdade. Mas o amanhã não chegou ainda. Por que me preocupar (pré-ocupar) tanto com o que não chegou e ainda não veio ou naquilo que já passou?

O momento presente é o melhor e posso vivê-lo na intensidade, celebrando o hoje com projeção para que o futuro seja melhor do que o passado e o já vivido.

 

 

O que passou me ajuda a viver o agora para pode eternizar meu presente para um futuro melhor que virá se celebrar com amor o agora precioso. Vou parar aqui esse artigo, porque você talvez já pense perder algo que está na pauta do dia. A nossa pressa nos trai, nos incomoda, nos atormenta, nos persegue, nos escraviza. A oportunidade de amar nos liberta do tempo e também do espaço. Viva o agora no amor e se eternize no agora permanente.