Novos coordenadores do palco de debates da Jornada
têm visão ampla da literatura, são críticos da literatura
e bem articulados no meio literário.

 

O Palco de Debates da 16ª Jornada Nacional de Literatura ressurge, nesta edição, dentro da grande lona, agora denominada Espaço Suassuna. Para comandar os palcos de debates, foram convidados os escritores Augusto Massi, Felipe Pena e Alice Ruiz. As mesas abordarão as seguintes temáticas “Por elas: a arte canta a igualdade”, “Centauro, pedra, rosa e estrela: Scliar, Suassuna, Drummond, Clarice”, “Monstros e outros medos colecionáveis” e “Literatura e imagem: além dos limites do real”. A Jornada acontece de 2 a 6 de outubro de 2017, em Passo Fundo.

Autores com visão ampla da literatura, críticos da literatura e articulados no meio literário. Esses foram alguns dos fatores que definiram os novos coordenadores dos debates da Jornada. Um deles é a poeta Alice Ruiz, autora de mais de 20 livros, entre poesia, traduções e uma história infantil. Compositora de letras musicais, já ganhou vários prêmios, incluindo o Jabuti de Poesia, de 1989, pelo livro “Vice Versos” e o Jabuti de Poesia, de 2009, pelo livro “Dois em Um”. “Alice é uma poeta consagrada e que tem uma produção bastante vinculada a movimentos de vanguarda e aos estudos dos haikais. Será uma grande honra para a Jornada tê-la conosco”, salienta uma das coordenadoras da Jornada, Fabiane Verardi Burlamaque.

Para Alice, que já participou da Jornada em 1991, dessa vez é como estar do outro lado do balcão, desempenhando um papel completamente diferente. “E eu achei maravilhoso isso porque desafia, e tudo que nos desafia é bem-vindo. Eu estava pensando bastante em como conduzir esses debates e quero conhecer bem os autores que eu vou mediar. Acho que tudo que eu já admirei em mediações das quais eu era a mediada e tudo que eu achei que não se deve fazer eu vou levar em conta para desempenhar essa função”, comenta Alice.

O outro coordenador de debates, Augusto Massi, é mestre em Literatura Espanhola e Hispano-America (1992), doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (2004), além de ser jornalista, professor, poeta, editor e crítico em publicações relacionadas à poesia modernista, crônica e memorialismo, prosa e poesia contemporâneas. “Augusto Massi é professor, pesquisador da teoria literária, trabalhou como editor e crítico literário. Estamos muito contentes em receber essa grande referência da literatura”, enfatiza Fabiane.

Massi nunca participou diretamente das Jornadas, mas acompanhou de perto e tem a maior admiração por essa movimentação literária. “Embora nunca tenha participado, sempre soube da importância das Jornadas, porque acompanho esse movimento de perto, como editor e também escritor. As Jornadas têm essa característica de ser uma festa com a participação de escritores nacionais e internacionais. Fiquei muito honrado com o convite para essa nova experiência como coordenador de debates”, destaca o escritor.

Para completar a tríade de debatedores, está o jornalista Felipe Pena, escritor, psicólogo, professor, doutor em Literatura pela PUC-Rio, com pós-doutorado pela Paris/Sorbonne. O envolvimento do escritor com a literatura começou muito cedo. “Quando eu tinha quatro anos de idade, meu avô espanhol ficava lendo contos galegos e russos, poemas de Rosalía de Castro, contos de Tolstói. Dá pra imaginar? Esse foi meu primeiro contato com poemas e contos altamente complexos. Pela minha própria formação, tudo na minha vida tem a ver com a escrita. Eu vivo de escrever. A escrita é meu pão, como professor, como roteirista, como psicanalista, como romancista, tudo que me sustenta vem da escrita”, declara Pena.

Para o também coordenador da Jornada Nacional de Literatura, Miguel Rettenmaier, Felipe Pena é um pesquisador que se interessa pela literatura além dos limites do cânone, ou seja, fora de um padrão estético consagrado. Rettenmaier cita, por exemplo, a obra Geração Subzero, organizada pelo escritor, que reúne uma coletânea de contos de vinte autores que, frequentemente, não são levados a sério pelo restrito mundo dos críticos literários. “É o criador da expressão ‘Geração Subzero’, relativa a escritores que são adorados pelo público, mas esquecidos, ‘congelados’ pela academia e pela crítica. Queríamos alguém com uma visão ampla da estética literária, pluralizada em várias tendências”, pontua Rettenmaier.

 

Inscrições para a Jornada encerram no dia 21 de agosto

A 16ª Jornada Nacional de Literatura e a 8ª Jornadinha Nacional de Literatura são realizadas pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e pela Prefeitura de Passo Fundo. Os eventos contam com os patrocínios do Banrisul, da Corsan, do Sesi, da BSBIOS e da Companhia Zaffari & Bourbon e com o apoio do Ministério da Cultura, além da parceria cultural do Sesc, dentre outras empresas e órgãos. As inscrições para a Jornada e para a Jornadinha estão abertas e são limitadas. Os interessados devem se inscrever no portal www.upf.br/16jornada. A programação completa também está disponível no site da Jornada. Informações podem ser obtidas pelo e-mail jornada@upf.br ou pelo telefone (54) 3316-8368.

 

Sobre os autores

Alice Ruiz

Alice Ruiz é poeta e compositora. Ministra palestras e oficinas de haikai no Brasil, desde 1990. Tem mais de 20 livros publicados de poesia, traduções e livros para crianças. Dois prêmios Jabuti de poesia e cinco livros incluídos no PNBE. Participação em antologias no Brasil, México, Argentina, Espanha, Irlanda, Bélgica e USA.

Como compositora, tem parcerias com Arnaldo Antunes, Chico César, Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik, Luiz Tatit, Ná Ozzetti, Waltel Branco, Zeca Baleiro e Zélia Duncan, entre outros.

Foi gravada também por Cássia Eller, Adriana Calcanhoto e Gal Costa. Lançou, pela Duncan Discos, com Alzira Espíndola, o CD de música e poesia “Paralelas”. Em 2007, Rogéria Holtz lançou o CD “No País de Alice”, só com letras de Alice Ruiz.

 

 

 

Augusto Massi

Graduado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1983), mestre em Literatura Espanhola e Hispano-America (1992) e doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (2004). Desde 1990, trabalha como professor de Literatura Brasileira na Universidade São Paulo.

Tem atuado como poeta, crítico e editor, com ênfase em publicações relacionadas à poesia modernista (Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Murilo Mendes, Raul Bopp e João Cabral de Melo Neto), à crônica e ao memorialismo (Machado de Assis, Lima Barreto, Rubem Braga, Iberê Camargo e Cícero Dias) e a prosa e poesia contemporâneas (Dyonélio Machado, Otto Lara Resende, Dalton Trevisan, Raduan Nassar, Chico Buarque de Holanda, Francisco Alvim, Cacaso, Adélia Prado, Orides Fontela).

 

 

Felipe Pena

Felipe Pena é jornalista, escritor e psicanalista, com doutorado em Letras pela PUC-Rio e pós-doutorado em Semiologia da Imagem pela Universidade de Paris, a Sorbonne 3. Foi visiting scholar da New York University e professor visitante da Universidade de Salamanca. Professor associado da Universidade Federal Fluminense, é autor de 15 livros, entre romances, biografias, crônicas e ensaios sobre comunicação e cultura.

Foi duas vezes finalista do prêmio Jabuti, uma delas com o livro “No jornalismo não há fibrose” e outra com a biografia “Seu Adolpho”. É colunista do jornal Extra, no Rio de Janeiro, diretor da Sociedade Brasileira de Estudos da Comunicação e roteirista de TV. Foi comentarista do programa Estúdio I da GloboNews, diretor de análise de conteúdo da Rede Globo e sub-reitor da Universidade Estácio de Sá.