“Acredito que um mundo muito melhor se constrói
quando somos capazes de compreender com
compaixão e empatia a cultura, a religião, os costumes, as opções
e os contextos sociais, políticos e históricos de um povo.”
Victória Holzbach

 

Com 25 anos de idade, Victória Holzbach, jornalista, decidiu oito meses atrás (setembro de 2016) ir além da palavra e buscou, através da ação, viver o amor de Deus.

Desde então, mora como missionária em Moma, no norte de Moçambique. Victória, que nasceu em Passo Fundo, sempre participou de grupos de jovens na Catedral Nossa Senhora Aparecida e atuou, também, no Setor Juventude e na Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Passo Fundo.

Desde que está na África, comunica generosamente a sua vida de missionária.

Em outubro de 2016, fez uma primeira reflexão no site onde declarou que “o melhor lugar do mundo é onde somos capazes de ser amantes e amados. Há um mês vivo a experiência de descobrir e amar um novo mundo. A África, ainda que desconfiada pelas tantas estranhezas que carrego, me mostrou que a melhor acolhida acontece na simplicidade e na ternura”.

A simplicidade é a melhor anfitriã em terra desconhecida

 

Em novembro de 2016, publicamos em nosso site outra grande reflexão onde Victoria Holzbach descreveu que “missão é serviço. E servir com amor. “Que a minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é amor e a outra metade também.”

Que minha loucura seja perdoada: sou agora missionária – Victória Holzbach

 

Em dezembro de 2016, publicou mais um importante reflexão sobre o convívio com as crianças africanas. “O convívio com as crianças revela a simplicidade. Nossa esperança é que o futuro destes pequenos seja num mundo onde tenham direito à ternura e alegria, à saúde e escola, ao pão e à paz, ao sonho e beleza”.

Crianças: pequenos guardiões de uma história – Victória Holzbach

 

Em abril de 2017, fez uma grande reflexão sobre a situação da maioria das mulheres moçambicanas, como podemos conferir. “Essa desigualdade significa que elas têm menos dinheiro, quase nenhuma proteção contra a violência e o mínimo acesso à educação e à saúde. Este processo faz com que continuem sendo cada vez mais discriminadas e oprimidas por uma sociedade que insiste na desigualdade de gênero como forma de dominar.”

De Moçambique, mulheres nutrem esperança de dias melhores

 

 

Oito meses de muito aprendizado na missão

Ao completar oito meses de missão, Victoria tem certeza de que vale a pena dedicar compaixão e empatia àqueles que, ainda que diferentes, estão unidos pelo mesmo desejo de construção de um mundo melhor.

“Acredito que um mundo muito melhor se constrói quando somos capazes de compreender com compaixão e empatia a cultura, a religião, os costumes, as opções e os contextos sociais, políticos e históricos de um povo”, aponta Victória.

Compreender a cultura para propor projetos sociais de transformação

O projeto missionário vai além do atendimento religioso. A equipe de missionários e missionárias desenvolvem projetos sociais na Vila de Moma, como uma Biblioteca Comunitária, uma Associação de Fotocopiadoras, um projeto de alfabetização e reforço escolar para crianças e adultos, acompanhamento nutricional para recém-nascidos e produção e distribuição de remédios naturais.

“Nossos dias têm tudo, menos rotina. Muitas vezes fazemos planos para o dia seguinte, que são alterados por inúmeros motivos. Ou falta energia, ou o carro estraga, ou surge alguém que precisa de ajuda, ou chove muito e bloqueia a estrada”, relata Victória.

 

A vida dos africanos na simplicidade

A simplicidade do povo africano é parte do combustível da missão. Victória relata: “sempre acreditei muito mais no coração das pessoas do que naquilo que aparentam ser. Por isso a simplicidade daqui me encanta. É um país pobre, com pessoas pobres, na maioria camponeses. Nossas ‘roupas de andar em casa’ aí são ‘roupas de ir na missa’ por aqui. Para as crianças, em casa há pouco para fazer. Não há caixa de brinquedos, carrinhos, bonecas, videogames, televisão ou tecnologias. Brinquedo é aquilo que se acha na rua, se (re)constrói, se (re)cria.

As crianças que vão à escola são poucas e as motivações para irem menores ainda. São todos muito humildes e desprovidos até do básico para viver, o que faz com que qualquer coisa pequena seja sinal de alegria. Isso torna a vida muito mais simples, porque nos faz perceber o que realmente é essencial”.

“As alegrias, desafios e esperanças da missão nos movem e nos fazem seguir caminhando. Neste caminho, esperamos não estar sozinhos. Contamos sempre com as orações daqueles que fogem de uma Igreja tranquila e sonham e lutam por uma Igreja missionária, que arrisca se acidentar para ir ao encontro de suas ovelhas”. (Victória Holzbach)

Nossos desejos a esta jovem missionária: que seja feliz em sua missão, que aproveite todas as possibilidades de se humanizar através do contato humano e das trocas culturais e que continue entusiasta das mudanças que nosso mundo precisa. Nosso maior desafio é a própria humanização: tornar-nos seres humanos melhores através do conhecimento, do reconhecimento das alteridades e da construção de relações mais respeitosas e solidárias entre todas as formas de vida.