Werther Brado estava na ponte da vida. Não seria a hora de se jogar?
Assim tão pobre de alegria, de amigos e de vivências abortadas,
não teve outra opção senão dar tempo ao tempo.

 

Ao final do dia, como sempre, Werther Brado deparou-se com a solidão. Descobriu que ela, veladamente, o acompanhava dia a dia. Até então, jamais dera importância ao fato. A diferença é que, nesse dia, ela veio tão forte, contundente e furiosa, que o deixou profundamente prostrado.

Seguindo a rotina, após um intenso dia de trabalho, foi à praia. Feito um condor cercado de vazio, Werther procurou acomodar-se no alto de um rochedo. Enquanto admirava o pôr-do-sol e o voo dançante dos pássaros, ruminava seus pensamentos em torno dos sentidos da vida.

Como a paisagem era confortável e desafiadora, descobre que algo inusitado estava acontecendo. Quando vê, chora contaminado de silêncio e melancolia. Pareceu-lhe que o silêncio era um todo e a melancolia sua grande e fiel companheira.

Pensamentos iam e vinham. Então lembrou das mazelas vividas na juventude. Eram pensamentos idos e vividos. Experiências arriscadas sob o fio da navalha. Não pôde brincar com o tempo. Ele passava célere, corroendo as almas de dentro e de fora.

Foi a tempo de sentir no rosto o toque da brisa leve e fresca. Parecia o carinho da amada. Enquanto olhava sua imagem refletida no espelho d’água, uma onda de recordações começou a retumbar contra sua cabeça.

Werther perguntou:
– Quem sou eu? O que faço aqui? Aonde vou?

O silêncio, o mar e o rochedo nada responderam. O desespero veio forte, certeiro e contundente como a pedra de Davi. Werther Brado estava na ponte da vida. Não seria a hora de se jogar? Assim tão pobre de alegria, de amigos e de vivências abortadas, não teve outra opção senão dar tempo ao tempo. E tudo ficou escuro e fantasmagórico. Clareado o dia, respirou profundo e, convicto, disse a si próprio:
– Tudo é impermanente, Werther! Isso também vai passar!

 

Conheça mais sobre o autor e seus contos, assim definido pelo professor Dr. Juliano Tonezer da Silva:
“Por fim, para o encantador de leitores, eu elencaria três sinônimos: mágico, pois seus contos, lendas e causos nos deixam maravilhados; cativante, pois suas histórias nos deixam fascinados; e, magnífico, assim como são magníficas suas Histórias Preciosas”.
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