Estupidez e violência humanas não geram liberdade

A violência é a face mais perversa de nossa estupidez humana. Viver, matar ou morrer não podem resultar de acaso ou de sorte, mas sim da liberdade.

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“Vivemos esperando dias melhores / …O dia em que seremos melhores / Melhores no Amor / Melhores na Dor / Melhores em Tudo.” (Jota Quest, canção Dias Melhores)

Ao sermos perguntados sobre como estamos, é comum respondermos que estamos com pressa, “sempre correndo”.

Mas correndo de quem? Correndo para onde? Correndo atrás de quem? Ou nossas respostas estão vazias de sentido ou, talvez, revelem que estamos a correr, desesperadamente, sem rumo e direção. Queremos vida na liberdade, mas estamos vulneráveis e vítimas da própria estupidez e violência humanas.

Não há razões para justificar a violência nossa de cada dia que decorre de coisas banais. A violência,  agora rotina, passa a ideia que tudo podemos resolver impondo a força, a esperteza, o despudor, a estupidez ou a eliminação física daqueles que, porventura, “atravancam” o nosso caminho.

A violência não está a nos revelar que a estupidez é que tomou conta da gente e que o que só nos restou administrá-la? Será possível vencer a estupidez humana?

A estupidez fundamenta-se na idéia de que não sou humanidade, sou somente eu. Se somente é eu que valho, tudo o resto é secundário, passível de manipulação. O outro, que se vire, que se imponha, que se apresente forte e arrogante como eu.

Não sou capaz de reconhecer que a minha dignidade depende ou que pode ser complementada na convivência com os outros. Então, se o outro em nada me ajuda, que pelo menos não me atrapalhe. E, se resolver atrapalhar, nada melhor que julgá-lo, humilhá-lo ou mesmo eliminá-lo.

Adolescentes e jovens: vítimas da estupidez e violência humanas

Muitos adolescentes e jovens operam condutas e ideias na mais absoluta relatividade, menos quando se trata da exaltação do próprio eu (egocentrismo). Para muitos, tudo é razão de competição ou de etiqueta. Representar é mais importante do que ser. Ter é muito mais importante do que ser.

Viver, na máxima velocidade e intensidade, é o melhor do que se tem para fazer. Então porque pensar no futuro?

Hoje é imprescindível retomar valores que são a base de nossa convivência social, como de nossa civilização. A generosidade, o convívio e a compreensão, por exemplo, são geradas pela escutatória. A escutatória é a nossa capacidade de desprender-se um pouco de si para tentar compreender as atitudes e pensamentos dos outros. Mas será que  ainda estamos a fim de perder tempo para ouvir alguém?

Ainda temos paciência para compreender que determinadas atitudes resultam de nossa vivência pessoal atribulada e pela falta de habilidade de conviver? Ainda seremos capazes de reconhecer que tão importante quanto falar é também saber ouvir?

A violência é a face mais perversa de nossa estupidez humana

Na medida em que viver, matar ou morrer viraram obras do acaso ou da sorte, vamos perdendo noção de humanidade, sempre latente em cada um e cada uma de nós. Esta humanidade, presente e latente em cada um e cada uma de nós, requer ser reinventada e recriada em cada momento histórico. Nem sempre vivemos do jeito que vivemos hoje e, no futuro, poderá ser que viver seja ainda muito mais diferente e complexo.

Vivemos esperando dias melhores. Dias melhores virão se formos capazes de perceber que vivemos enozados, interdependentes, frágeis, desejosos de comunhão e trocas, mesmo que quase todo o mundo conspire contra a gente.

 

Vivamos, pois, escolhendo caminhos de liberdade; não de estupidez.