O complexo prisional brasileiro precisa urgentemente de reforma,
a começar pelo Congresso Nacional, que também
se tornou um “covil de ladrões”. Todos precisam de conversão.
Não somos mais santos do que qualquer criminoso.

 

Os massacres recentes, ocorridos no início de 2017, revelam e reforçam a tese de que nossas prisões se tornaram “escolas do crime”. (Relembre reportagem do G1 sobre o tema).

Os massacres não foram acidentes, mas realidade do inferno e caos prisional. O porte interno de armas, de drogas e de celulares demonstra que o sistema está corrompido.

É a ponta de um iceberg. Assim está nosso Brasil. A maioria das prisões se tornou universidades do crime, onde se diploma para roubar e matar ainda mais. É lá dentro que se reúnem os bandidos de todas as espécies, podendo arquitetar o mal em conjunto.

Como o provérbio popular diz, a ocasião faz o ladrão. Alerta o salmo primeiro: “Bem-aventurado o homem que não se assenta na roda dos escarnecedores” (Sl 1,1).

O complexo prisional precisa urgentemente de reforma, a começar pelo Congresso Nacional, que também se tornou um “covil de ladrões” (Mc 11,17), ousando repetir as palavras de Jesus no Templo de Jerusalém.

O modelo prisional de Associação de Proteção e Apoio aos Condenados (Apac), como o de Barracão (PR), procura uma alternativa na recuperação do encarcerado. Os próprios presos, chamados de recuperandos, mantém todo o processo de limpeza, cuidados, alimentação, estudo, num modelo que não utiliza policiais, armas ou qualquer tipo de violência. Os apenados recebem ajuda de voluntários em atendimentos psicológicos, religiosos, esportivos e sociais, reduzindo pela metade o custo de um preso, comparado ao sistema tradicional.

 

Saídas e alternativas para degradante situação dos presídios no Brasil

 

Espalhadas por cidades brasileiras, em 40 anos, as Apacs recuperaram 90% dos condenados. Dos 70% de reincidência dos presos do sistema carcerário comum, nelas esse número cai para 10%.

Conheça um pouco da história das Apacs no Brasil através deste audiovisual.

 

É preciso acreditar na conversão do pior bandido e do mais miserável pecador, que será sempre um prisioneiro de seu pecado e de sua própria vontade irracional.

Todos precisam de conversão. Não somos mais santos do que qualquer criminoso.

Conheça o trabalho e as ideias do Juiz de Direito da Vara da Infância e Juventude, Dalmir Franklin de Oliveira Júnior. “Existem autores, entre eles  Alvino Augusto de Sá,  psicólogo que trabalhou no sistema prisional em São Paulo, que diz  “ a possibilidade  de ressocialização passa por uma reaproximação do cárcere com a sociedade”, e  você deixar o sujeito fechado e, após largar na sociedade sem que ele tenha  oportunidades, não vai ter muita função,  não vai ter uma consequência positiva, então, a privação da liberdade tem que permitir essa reaproximação do cárcere com a sociedade, através de projetos com possibilidades e competências que possam ser explorados, distintos dos quais o levaram ao crime”.

Dedilhando sonhos: servindo o bem público e ajudando pessoas

 

São João afirma que quem odeia o seu irmão é um homicida (cf. 1Jo 3,15). Os detentos na prisão são também filhos de Deus, filhos de nosso tempo e nossa sociedade. No Juízo Final, que Deus não nos reprove com essa frase sentencial: “Estive nu e não me vestistes, doente e preso e não me visitastes”(Mt 25,43).

Em outro artigo publicado no site, o professor Nei Alberto Pies alerta para o fato de que as casas prisionais deste país são um verdadeiro depósito de seres humanos e a sociedade brasileira parece não se importar com esta situação desumana. Esperar o que então?

Gente foge e faz rebelião por quê? Responsabilidade de quem?