31 de maio comemora-se o
Dia Internacional de Conscientização da Esclerose Múltipla.
Mas, afinal de contas, o que é Esclerose? E Múltipla ainda?

Certamente você já presenciou alguém xingando outra pessoa, para colocar em questionamento sua sanidade, de esclerosada. Talvez você mesmo, que está lendo esta coluna, já tenha usado essa expressão para se referir a alguém que você considerava senil. Mas, quem é esclerosado? O que significa isso?

Afinal de contas, o que é Esclerose? E Múltipla ainda?

A EM é uma doença que lesa a bainha de mielina e prejudica a neurotransmissão. Imagine que seu cérebro é uma central telefônica e a bainha de mielina a capa que reveste o fio que conduz a informação do seu cérebro, dos seus neurônios, para o resto do corpo.

Os portadores de EM possuem essa capa de revestimento danificada, como se estivesse quebrada em alguns pontos. Sendo assim a informação repassada do cérebro para o corpo (ou o contrário) pode conter alguns ruídos, que variam em cada caso podendo ser intensos e prejudicar o entendimento total ou não.

O sistema nervoso central, atingido pela EM, tem papel fundamental no desenvolvimento das funções do corpo. É através dele que chegam as informações relacionadas aos sentidos (audição, visão, olfato, paladar e tato) e é dele que partem ordens destinadas aos músculos e glândulas. Ou seja, se houver alguma inflamação ali (o que desencadeia um surto) qualquer uma destas funções pode ser prejudicada.

Os surtos que caracterizam a doença são sintomas variáveis, como perda de força de um ou mais membros, formigamentos ou dormências em partes do corpo, distúrbios de sensibilidade, vertigem, tremores, alterações na fala, dificuldade para caminhar e desequilíbrio que se apresentam em diferentes combinações ou isoladamente. Em alguns casos o paciente apresenta quadro de neurite óptica e ainda há registros de casos em que há perda de visão ou visão duplicada.

A EM é uma doença autoimune, agindo de maneira imprevisível e podendo ser considerada uma patologia diferente em cada paciente, já que os sintomas são muito singulares e a doença não segue nenhum roteiro.

EM – O que é Esclerose Múltipla & tratamento

No próximo dia 31 de maio se comemora o Dia Internacional de Conscientização da Esclerose Múltipla. Todos os anos a data é comemorada na última quarta-feira do mês de maio e fitinhas de cor laranja são usadas no peito para conscientizar sobre essa doença silenciosa e invisível.

De acordo com a National Multiple Sclerosis Society são cerca de 2,5 milhões de pessoas afetadas pela EM no mundo e conforme a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla aqui no país são aproximadamente 35 mil pessoas diagnosticadas com a doença que ainda não tem cura.

Eu sou uma dessas pessoas. Diagnosticada desde 2015, convivo diariamente com formigamentos, espasmos, fadiga e em alguns dias sinto pernas e braços muito pesados. Mais ou menos como se eu usasse uma caneleira, daquelas de academia, invisível e o tempo todo. Nos braços a sensação é a mesma, mas como se fosse pesada luva que se estende até o cotovelo.

Eu sou esclerosada. E ser esclerosada nada tem a ver com sanidade e apesar de ser um fardo, não é xingamento não. É bem okay ter esclerose e é bem okay viver com ela, seus sintomas e os efeitos colaterais do remédio. O que não é okay, amigos, é reproduzir falta de conhecimento.

O que já não é mais desculpa, ao menos se você leu até aqui.

Esclerose múltipla: informação é tudo!