[dropcap type=”3″]C[/dropcap]om orgulho da profissão e responsabilidade com o conhecimento, anuncio o meu retorno às salas de aula neste ano de 2014. Desafio-me, mais uma vez, confrontar meus conhecimentos sobre a vida humana, a busca pelo Transcendente e a vivência da fé e das crenças com os conhecimentos de meus alunos que são crianças, adolescentes e jovens: seres humanos em formação.

O Ensino Religioso ministrado nas escolas públicas não é mais catequese, não é aula de religião e muito menos lugar para rezar e orar. O Ensino Religioso é a oportunidade de conhecimento das diferentes religiões com o intuito de respeitar e reconhecer as diferentes crenças e práticas religiosas que coexistem na sociedade. O objetivo é o diálogo interreligioso como pressuposto para construção de relações de respeito, reverência e paz, solidariedade e paz no mundo.

O caminho é temerário e em “terreno movediço”, pois envolve o que muitos consideram muito sagrado: sua fé. Mas o medo não pode impor pânico, senão paralisa; nos deixa sem ação. O medo é importante para a proteção, pois faz considerar os riscos de cada ação. Quando reconhecemos os outros, suas vivências e sua fé, geramos “espiritualidade”. Espiritualidade acontece quando não temo os outros; antes, associo-me a eles para juntos descobrirmos a alegria de viver conjuntamente, apesar das diferenças.

[pull_quote_left]“O traço de união que une todas as religiões é a espiritualidade.” (Adelmar Marques Marinho)[/pull_quote_left]

Nem padre, nem pastor ou líder religioso, sou professor! Como líder religioso, falaria apenas a partir de uma religião. Como professor, posso apresentar o conhecimento acumulado de várias religiões, sem comparar e desmerecer uma em detrimento de outra. É direito dos alunos o conhecimento das diferentes religiões. É seu direito também o conhecimento dos fundamentos de cada e de todas as tradições religiosas. Conhecer as manifestações do sagrado e do transcendente nas diferentes religiões ou tradições religiosas tem o propósito de aprender a respeitá-las.

Ainda existe grande confusão sobre as práticas pedagógicas da disciplina do Ensino Religioso nas escolas públicas de nosso país. Bem verdade também que nem todas as redes de ensino preparam bem seus professores para trabalhar com Ensino Religioso. Por desconhecimento ou preconceito, nem sempre a comunidade entende o papel do ensino religioso nas escolas. O Ensino Religioso, no atual paradigma, cumpre importante papel na formação integral do ser humano, no reconhecimento das dimensões históricas, psicológicas, sociais, culturais e religiosas de cada ser humano e de todo mundo.

Mestres (os professores) ou religiosos (líderes das religiões) podem tornar-se importantes referências de vida e conhecimento para as diferentes juventudes que estão a desabrochar. Juventudes que perguntam. Juventudes que desafiam. Juventudes que buscam respostas e precisam de horizontes. Juventudes que revelam necessidade de religião e de espiritualidade.

É um desafio integrar os diferentes conceitos, habilidades e atitudes que as outras áreas do conhecimento despertam em nossos adolescentes e jovens. Igualmente, é desafiante integrar às aulas os diferentes saberes gerados na comunidade, nas famílias, nas ruas e no cotidiano de todos nós.

Não espalhemos, jamais, o medo de conviver! Perderemos oportunidades de compreender as diferentes percepções da vida, de religiosidade e de mundo que existem entre nós. Nada recomendável num mundo que se enche cada vez mais de religião e se esvazia de espiritualidade.

  • BEREL NATAN ENGELMAN

    Professor Nei Alberto Pies, Parabenizo-o sempre pelos seus belos e importantes trabalhos sempre em prol da Cidadania, Democracia e Respeitabilidade em relação ao Ensino Religioso e a relevância sobre as diversos Povos e Culturas aqui existentes. receba o meu abraço fraternal com Shalom! – Berel Natan Engelman – Líder Espiritual da Comunidade Israelita de Passo Fundo/RS.