A educação ambiental inicia como educação da uma interioridade que gesta a sua comunhão com a exterioridade. E se faz consciência da pertença à teia da vida, em conduta amorosa e ativa, religando o cuidado de si ao cuidado com o derredor. Quem ama, cuida. Não porque necessita cuidar, mas porque deseja.

Diante da miríade de detalhes maravilhosos que compõem a caixa de jóias de cada ecossistema da Terra; em meio às conexões onde a vida se manifesta em sua teia de infindáveis possibilidades; perante a surpreendente beleza da arquitetura do cosmos… há a resposta de quem contempla e medita sobre o bem, o sentido e a gratuidade da existência. Exercício espiritual de quem vivencia uma emoção fundamental que religa o seu universo interior ao mistério da vida e, assim, educa a si mesmo para aprender a amar.

O amor é um sentimento que expressa uma ligação profunda, uma pertença, um envolvimento. Quem ama, cuida. Não porque necessita cuidar, mas porque deseja, porque se percebe conectado e reconhece em sua própria existência e na existência de cada ser vivo uma obra de arte inigualável. Quem ama, admira. Por isso, toma a iniciativa de tornar-se melhor por saber que a vida é um acontecimento de valor infinito. Amar é um modo de sentir profundamente a existência, e de contemplar a interdependência de todos os seres. Quem ama confere espontaneamente a cada um dos seus atos uma responsabilidade autônoma, e não necessita que outro olhar o vigie.

A educação reside neste trabalho cotidiano de criar a si mesmo, quando, mais que apenas racionalmente, corações e mentes estão engajados na tarefa de construção de sentido, buscando tornar o tempo da vida uma obra de arte. A educação ambiental inicia, assim, como educação da uma interioridade que gesta a sua comunhão com a exterioridade. E se faz consciência da pertença à teia da vida, em conduta amorosa e ativa, religando o cuidado de si ao cuidado com o derredor. Ao transmutar a significação que pomos em nossas ações, observamos o modo como elas simultaneamente nos transformam. Para ver a natureza como a nossa morada, e prepararmos o mundo para as gerações futuras.

A educação ambiental que se faz por uma pedagogia do amor exigirá, então, mais que informações sobre espécies, ciclos e processos vitais, a vivência da natureza. Conhecer para amar, e amar para conhecer: eis o círculo do sentido humano do conhecimento. De um conhecimento que é prazer, pois confere valor àquilo que assim reconheceu como significativo.

Educação do olhar, do sentir, do escutar, do sensibilizar-se, que não mais domina, mas integra-se. Educação da razão, que não apenas explica, mas se põe a serviço da tarefa de constantemente reaprender a amar. Educação do desejo, que não possui, mas oferece. Educação interior e ambiental que principia por aprender a ver a vida com carinho, e se consolida em uma ética do cuidado.

Pois nos habituamos a observar uma flor, uma árvore, um inseto, cada ser vivo, a própria vida do planeta como se fossem objetos ao nosso dispor; como se estivéssemos, em nosso íntimo, apartados, distantes de tudo. Mas o ambiente não está apenas à nossa volta: em nossa carne vivenciamos a vida do mundo. A condição humana, nesta distância, torna-se meramente artificial. E o imaginário do futuro é reduzido à ideia de que a evolução tecnológica seria suficiente para nos tornar plenamente humanos.

Começamos a nos educar quando passamos e exercitar a admiração pela beleza da vida, não como turistas, mas como nativos que dividem o seu território, o seu ambiente exterior e interior com os demais seres que o habitam. Quando, então, amar e respeitar se tornam ações compartilhadas. E hábitos são transformados a partir de um contínuo trabalho interior.

As crianças parecem ser espontaneamente abertas a este amor que se renova e cresce incessantemente no exercício cotidiano de brincar de ver com carinho. Poderemos aprender com elas. E este aprender é também por amor a elas, a quem pertence o futuro. Pois uma ética do cuidado de si e do ambiente se completa com uma ética do cuidado do outro. Talvez possamos, com isso, reinventar o imaginário do futuro, iniciando pela reinvenção do presente, com o exercício da visão da beleza e do mistério da vida.