O pensamento diplomado, o pensamento que busca
a verdade através da leitura e do conhecimento de
diversas fontes, o saber ancestral, baseado nas experiências vividas
estão sendo derrotados pelo saber imediato e sem relação com nada.
Falta-nos o discernimento crítico da realidade e dos conhecimentos.

 

Há alguns anos, tive a oportunidade de ler o livro A derrota do pensamento, do filósofo francês Alan Finkielkraut, e relembro essa leitura apenas para justificar o título deste artigo.

É inegável que, com o advento da internet e das redes sociais, se popularizaram a escrita e a possibilidade de emitir opinião sobre os mais variados temas. Isso é bom! Porém o que refiro como derrota do pensamento é o nivelamento de todas as pessoas (ou quase todas), pois há muito de exclusão social e digital na abordagem dos temas.

 

Idiotização da mídia e manipulação – Fora da Caixa.

Decidi escrever este texto a partir de alguns daqueles debates que a gente acaba fazendo no Facebook com amigos e familiares – no meu caso, como graduado em Teologia, querendo fundamentar com argumentos alguns temas de religião. A conclusão é que de pouco valeram aqueles anos de estudo de Teologia. Assim, como de pouco adianta minha graduação em Filosofia, especialização em Bioética ou mestrado em Comunicação Social.

Para não encerrar o exemplo em mim mesmo, quero ampliar essa ideia da derrota do pensamento. Num dos debates sobre religião, um interlocutor amigo do Facebook fala da perseguição aos cristãos na Bolívia e Venezuela.

Daí eu me pergunto: o que sabemos nós, brasileiros e brasileiras, sobre esses países, se o que recebemos é um bombardeio de informações falsas e negativas dessas nações pela grande mídia?

Sempre tive como referência em assuntos internacionais o professor Paulo Visentini, autor de diversos livros e profundo conhecedor de geopolítica e de como se relacionam os países, seja na América Latina, Oriente Médio ou qualquer parte do mundo. Mas qual é a diferença da opinião do professor Visentini para a opinião do meu interlocutor do Facebook?

Outro interlocutor, estudante de Filosofia nos primeiros semestres, com a finalidade de se tornar padre da Igreja Católica Romana, autodenominando-se conservador de direita, achou-se no direito de apontar os erros do Papa Francisco na condução da Igreja. Não importa que Jorge Bergoglio tenha feito tantas faculdades, que tenha vivido as mais diversas situações como argentino, arcebispo, cardeal e, agora, talvez como a liderança mais respeitada em todo o mundo. Só importa o desejo de se manifestar, mesmo que sem argumentos.

Não é apenas o pensamento diplomado que está sendo derrotado. Trata-se também do pensamento de quem busca a verdade através da leitura e do conhecimento de diversas fontes, e se trata do saber ancestral e baseado nas experiências vividas, que não pode ser desprezado pelo saber imediato e sem relação com nada, além da própria impressão da realidade, influenciada pelos meios de (des)informação que hoje dispomos.

Esperamos que o passo seguinte a essa avalanche de opiniões nas redes sociais seja o do discernimento crítico do que dizemos, curtimos e compartilhamos.

 

A forte ideologia de consumo, incutida na gente todos os dias, também nos faz relativizar demais as informações e os conhecimentos com os quais lidamos? Vídeo “Compro, logo existo”?