Não sou perfeito, no entanto acredito que professor
tem de ter uma postura diferente, mesmo que
outros pensem que não e que ser mestre
não é apenas quando se está numa sala de aula.
Acredito, também, que nuvens ainda são de algodão.

 

Embora muitos poetas e filósofos já tenham escrito sobre as reflexões da vida ao longo do avanço da maturidade do ser humano, nunca se torna demasiado trazer mais uma que hora se exprime o que sentimos, porém o que se diga corresponde o que de fato penso neste momento de minha vida.

Dessa forma, começo uma trajetória reflexiva a partir dos cinco anos de vida que, muito cedo, sabia que queria ser professor e acreditava nisso como algo incontestável e imutável. Aquilo estava claro como um relâmpago num dia de tempestade. Dessa forma, desenhava-se um parâmetro de mestre, de educador em minha mente que, a meu ver, não poderia ser diferente.

Salientando no meu mundo idealizado e utópico que ara ser professor deveria ter os exemplos dos mestres, que deveria fazer o que, de fato, proferia. Isso dentro e fora do âmbito escolar. Para minha formação e confirmação quando comecei a ir à escola minha primeira professora fez com que eu comprovasse isso, sendo uma pessoa íntegra de atitudes e de seguimento prático escolar e social. Para frisar ainda mais o que eu acreditava e pensava.

Conheci o pai da minha professora, um senhor que sempre admirei, também professor, respeitado, um exemplo de pessoa, inclusive na linguagem que usava e seguia. Com o passar dos tempos a minha teoria de que era ser professor estava se confirmando e a cada dia eu dizia pra mim mesmo, é isso que eu quero. Desde já eu preciso trilhar esse caminho.

Quando eu crescia e via muitos professores meus, eu tentava me espelhar neles porque era o que eu almejava, mesmo sendo filho de pequenos agricultores e que na realidade vivida seria difícil conseguir estudar para ser um educador. Porém, o sonho era bem maior que toda a dificuldade que se apresentava.

Quanto mais pessoas eu conhecia, mais meu mundo se ampliava, se expandia. Meus horizontes se esperançavam quando entrei na universidade de Passo Fundo e conheci uma professora chamada Marlete que mostrou que o mundo em qualquer profissão pode ser humano e é possível enxergar o ser humano como seu semelhante, mostrou-me que “… as nuvens eram de algodão…” .

Eu me via nela, pensava: “quando eu for professor formado, quero ser como esta pessoa, levando a humildade e humanidade, sempre. Assim conheci vários professores, de diversas disciplinas, pessoas de muitas outras profissões: enfermeiros, médicos. Meu parâmetro nunca se desmoronou.

Até quando o mundo hipotético me mostrou a face decepcionante. Percebi professores formados na área de biologia que fumavam. As perguntas vieram à tona. Como pode um professor que discrimina o conhecimento biológico e sabe como funciona o organismo do ser vivo e as causas que provocam o abalo desse organismo, se autodestruindo? Aquilo não cabia no mundo estereotipado por mim.

Hoje encontro referência metafórica numa música dos Engenheiros do Hawai, Somos quem poder ser. Nesse texto, segundo Gessinger (1986):

“Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração…”

 

Porém, meu mundo desaba mais um pouco quando vejo pessoas que ficaram 4 ou 5 anos dentro de uma faculdade para conhecer melhor o corpo humano e para ajudar aliviar várias moléstias que o ser humano enfrente quando estamos debilitados, enfermeiros. Imagina o grau da missão que eu imaginava que deveria ser e ter para mostrar o que aprendeu. Esta pessoa aparece com um cigarro na mão. O que dizer? Esse não é o mundo que eu imaginei?

Então me reporto novamente ao mesmo autor, Gessinger (1986):

“[…] Quem ocupa o trono tem culpa
Quem oculta o crime também
Quem duvida da vida tem culpa
Quem evita a dúvida também tem
Somos quem podemos ser
Sonhos que podemos ter…”

 

“Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão…” Quando vi médicos que tem a profissão neste mundo para cuidar da saúde dos outros seres humanos. Perguntava-me: Como estão com o cigarro na mão? Que ensinamento pelo exemplo pode dar? Porque não venham me dizer que o exemplo não educa, educa sim. Mais do que as palavras.

 

Criança vê, criança faz!

 

Agora o que dizer, quando, há poucos dias atrás, vi numa rede social um professor fazendo apelo e defendendo a liberação da maconha. O professor, por mais que a sociedade evoluiu, continua formando opinião e está na frente da vitrine.

Qual a concepção da vida que este professor tem? Talvez a vida tenha outro conceito. Talvez um conceito paradigmático, porque vida significa proteção, defesa.

Nesse contexto pode ser a morte. E Gessinger (1986) diz ainda:

“Um dia me disseram
Quem eram os donos da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem esta prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum…”

 

“Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão…” Todavia, continuo firme de que elas podem ser sim. Continuo acreditando no que a minha professora me ensinou pelas suas atitudes e eu tento ser o mais exemplo possível. Não sou perfeito, no entanto, acredito que professor tem de ter uma postura diferente, mesmo que outros pensem que não e que ser mestre não é apenas quando se está numa sala de aula.

Somos quem podemos ser, Sonhos que podemos ter… E teremos!

Vídeo motivacional para professores e professoras.

 

Referências

GESSINGER, Humberto. Somos quem podemos ser. Disponível em:<http://www.vagalume.com.br/engenheiros-do-hawaii/somos-quem-podemos-ser>.